Produção menor sustenta reação do açúcar no mercado internacional
Rabobank vê queda no Centro-Sul e clima como risco para o fim da safra
Os preços do açúcar reagiram em agosto diante da perspectiva de menor produção no Centro Sul do Brasil e de preocupações com a oferta da Índia. Depois de meses próximos de 14,5 centavos de dólar por libra peso, os futuros do açúcar bruto em Nova York alcançaram o maior nível do ano, segundo análise do Rabobank.
O contrato para outubro fechou a 17,5 centavos de dólar por libra peso no dia 19 de agosto, enquanto os vencimentos de março e maio de 2027 superaram 18 centavos. A valorização chegou a cerca de 20% em dólar ante a média dos três meses anteriores e a 23% em reais, favorecida também pela desvalorização da moeda brasileira.
A mudança ocorre em uma safra marcada por interrupções na moagem devido às chuvas de maio e junho e por maior direcionamento da cana para etanol. Entre abril e junho, o mix açucareiro ficou em 42,5%. Dados até julho indicaram uma participação próxima de 44%.
Com isso, a produção de açúcar no Centro-Sul somou 16,9 milhões de toneladas até o fim de julho, ante 19,2 milhões de toneladas no mesmo período da safra anterior. Apesar da diferença de 2,3 milhões de toneladas, as estimativas para a moagem de cana continuam entre 630 milhões e 645 milhões de toneladas.
Mix limita recuperação da produção no Centro-Sul
Para o Rabobank, é praticamente certo que a produção de açúcar recue em 2026/27. A dimensão dessa queda dependerá do volume final de cana processada, da qualidade da matéria prima e da parcela destinada pelas usinas à fabricação do adoçante nos próximos meses.
Mesmo em um cenário de moagem de 640 milhões de toneladas e qualidade da cana semelhante à da temporada anterior, o mix açucareiro precisaria atingir 53% entre agosto e o encerramento da safra para que a produção repetisse as 40,4 milhões de toneladas registradas em 2025/26.
A recuperação das cotações pode estimular as usinas a aumentar a fabricação de açúcar. O nível relativamente baixo de fixação de preços para 2026/27 dá espaço para que as unidades reajam à mudança na relação de rentabilidade entre açúcar e etanol.
O etanol, por sua vez, também começou a apresentar reação de preços em agosto. Segundo o banco, ainda não está claro se o movimento foi provocado principalmente pela alta do açúcar ou por um aquecimento da demanda nos postos, depois de um período de elevada competitividade do biocombustível em relação à gasolina.
Índia e clima reforçam incerteza sobre a oferta
A menor disponibilidade brasileira não é o único fator de sustentação das cotações. A Índia autorizou a importação de 1 milhão de toneladas de açúcar diante da elevação dos preços no mercado doméstico, enquanto monções abaixo da média aumentaram as preocupações com a safra indiana de cana e açúcar em 2026/27.
A combinação das notícias vindas do Brasil e da Índia também levou ao reposicionamento de fundos no mercado futuro e reforçou a valorização. O Rabobank avalia, no entanto, que vendas de produtores diante dos preços mais altos podem limitar novos avanços caso não apareçam outros fatores de sustentação.
A atenção agora se desloca para o clima. O El Niño é apontado pelo banco como o principal fator climático a ser acompanhado no início da safra agrícola brasileira. No setor sucroenergético, condições desfavoráveis podem reduzir a janela disponível para a colheita da cana que permanece no campo.
Se isso ocorrer, as projeções para a quantidade de açúcar brasileiro disponível para exportação poderão ser revistas. Com o mix observado até julho, o Rabobank considera praticamente certa uma produção de açúcar inferior às 40,4 milhões de toneladas alcançadas pelo Centro-Sul na safra anterior.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: