Programa Cana amplia parcerias e consolida avanço tecnológico no setor sucroenergético
Iniciativa do IAC alcança 196 empresas em 2025 e reforça a adoção de variedades mais produtivas e adaptadas às diferentes regiões produtoras
O Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC) ampliou novamente sua base de parceiros em 2025 e atingiu a marca de 196 empresas apoiadoras. Com a adesão de seis novas usinas localizadas em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso, o projeto fortalece a articulação entre pesquisa e produção e amplia o acesso do setor sucroenergético a tecnologias voltadas ao manejo agrícola e ao ganho de produtividade, com foco em patamares superiores a 100 toneladas por hectare.
A ampliação das parcerias reforça a estratégia de aproximação com usinas e produtores, permitindo a validação em campo de novas variedades e sistemas produtivos desenvolvidos pelo Instituto. Esse modelo tem contribuído para acelerar a transferência de tecnologia e ampliar a confiança do setor nos materiais gerados pela pesquisa pública.
Conforme publicação institucional do IAC, o supervisor agrícola da Usina Santa Maria, Valdecir Florentino Bueno, destacou que a cooperação iniciada há cerca de dez anos começou de forma gradual, voltada ao desenvolvimento de variedades para formação de mudas, e ganhou escala ao longo do tempo. Segundo ele, atualmente diversos materiais do Instituto já são utilizados comercialmente pela usina. Ainda de acordo com o relato divulgado pelo IAC, a ampliação do trabalho em 2023, na unidade de Tatuí, resultou na consolidação de um polo de mudas que hoje atende não apenas a empresa, mas também produtores de toda a região de Piracicaba – SP.
No Centro-Oeste, a atuação regionalizada também aparece como um diferencial. Em comunicado divulgado pelo Instituto, o diretor agrícola do Grupo Barralcool, Lucas Ticianel Schrader, avaliou que, embora o Mato Grosso não tenha a mesma expressão nacional na produção de cana, o projeto conduzido pelo IAC se destaca pela capacidade de oferecer soluções ajustadas às condições locais. Segundo ele, a disponibilidade de variedades adaptadas a solos mais arenosos, baixas altitudes e elevada variabilidade climática tem trazido maior segurança produtiva às operações do grupo em Barra do Bugres.
Adoção de variedades cresce no Centro-Sul e amplia base produtiva
O fortalecimento das parcerias ocorre em paralelo ao avanço da presença das variedades do Instituto nas áreas de renovação de canaviais do Centro-Sul. Dados do Censo Varietal IAC mostram que, na safra 2025/26, os materiais desenvolvidos pela instituição ocuparam 12,5 por cento da área total renovada, o equivalente a 145 mil hectares, um crescimento de 8,3 por cento em relação ao ciclo anterior.
Nos plantios de cana de ano e meio, realizados entre dezembro de 2024 e março de 2025, a expansão foi ainda mais intensa. O uso dessas variedades avançou 33 por cento na comparação com a safra passada. Segundo informações divulgadas pelo Instituto, o consultor Rubens Braga Junior, responsável pelo levantamento, avaliou que esse desempenho coloca a iniciativa do IAC como o esforço de melhoramento genético com maior crescimento no período analisado.
Entre os materiais mais utilizados, a variedade IACSP01-5503 se destacou pela ampla adoção em praticamente todas as regiões produtoras do Centro-Sul. O material respondeu por 5,6 por cento da área de renovação, cerca de 66 mil hectares, além de aproximadamente 170 mil hectares em área total cultivada. De acordo com o Instituto, a aceitação está associada a características como alta densidade de perfilhos e porte ereto, atributos que favorecem produtividade, qualidade da matéria-prima e eficiência industrial.
A edição 2025/26 do Censo Varietal também registrou o maior número de respostas desde o início da série histórica. O levantamento reuniu dados de 321 unidades produtoras, abrangendo 7,5 milhões de hectares, volume 21 por cento superior ao da edição anterior.
Outro ponto de destaque foi a crescente diversificação varietal nos canaviais. Conforme análise técnica do Instituto, usinas e produtores têm reduzido a concentração em poucos materiais e ampliado o número de variedades cultivadas, movimento considerado positivo por diminuir riscos biológicos e aumentar a resiliência produtiva diante de pragas, doenças e oscilações climáticas.
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