Safra avança com moagem menor e maior foco no etanol
Ritmo de processamento cai, mix migra para o biocombustível e vendas acumuladas mostram mudança de demanda
A região Centro-Sul do Brasil processou 592,27 milhões de toneladas de cana até 1º de dezembro, uma leve retração de 1,92% em relação ao mesmo período da safra passada. A segunda quinzena de novembro marcou um ritmo mais lento de moagem, com 15,99 milhões de toneladas, refletindo tanto o avanço das chuvas quanto o fechamento antecipado das operações em várias usinas conforme divulgação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), nesta terça-feira (16).
O número de unidades em atividade reforça esse movimento. Apenas 144 estavam moendo na segunda metade de novembro, frente a 196 no mesmo período de 2024/25. Nas últimas duas semanas do mês, 52 usinas encerraram a safra. No acumulado, 173 unidades já pararam, acima das 141 que haviam concluído as operações nesta mesma altura do ciclo anterior. Para o produtor, o descompasso na moagem e o encerramento precoce reforçam a necessidade de planejamento operacional e comercial para o início de 2026.
Mix segue favorecendo etanol e produção de açúcar recua com força
O direcionamento da matéria-prima continua deslocado para o etanol. A produção de açúcar na segunda quinzena de novembro totalizou 724,06 mil toneladas, queda de 32,94% frente ao mesmo período do ano anterior. No acumulado, entretanto, o adoçante soma 39,90 milhões de toneladas, mantendo leve avanço sobre o ciclo anterior.
O mix de açúcar recuou novamente, passando de 38,60% para 35,52% na quinzena. “Essa tendência de retração no mix de açúcar tem sido observada pela sétima quinzena consecutiva e o mix de etanol chegou a atingir 64,48%”, destacou Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial da UNICA. Para o produtor, esse comportamento reforça o papel estratégico da precificação e o impacto direto do mix nas negociações com as unidades.
A qualidade da cana apresentou melhora no curto prazo, com ATR de 133,78 kg por tonelada na quinzena, mas ainda acumula queda de 2,50% no ciclo atual (138,33 kg/t). Esse cenário exige atenção ao manejo e à reposição de nutrientes no ciclo 2026/27.
Etanol se consolida na produção e nas vendas com participação crescente do milho
A produção de etanol somou 1,18 bilhão de litros na segunda metade de novembro. O hidratado caiu 7,41% no período, enquanto o anidro cresceu 10,21%. Desde o início da safra, a produção acumulada chega a 29,53 bilhões de litros, com retração no hidratado (-7,86%) e leve queda no anidro (-1,15%). O etanol de milho segue ampliando presença e já soma 6,03 bilhões de litros no acumulado, avanço de 15,10%.
Para o produtor, esse movimento reforça o caráter cada vez mais dual da matriz de oferta, reduzindo a sensibilidade do mercado à disponibilidade de cana e elevando a importância da competitividade entre rotas tecnológicas.
As vendas acumuladas de etanol totalizam 23,32 bilhões de litros (-2,41%). O hidratado, mais sensível à paridade com a gasolina, recua 6,10%, enquanto o anidro avança 4,39%, mantendo demanda firme das distribuidoras. Apenas em novembro, as vendas chegaram a 2,70 bilhões de litros, com retração do hidratado e avanço do anidro.
CBios ultrapassam a meta anual e reforçam previsibilidade ao setor
O mercado de créditos de descarbonização mantém desempenho robusto. Até 15 de dezembro, foram emitidos 40,89 milhões de CBios no ano e 24,54 milhões permanecem disponíveis para negociação. Segundo Rodrigues, “já temos cerca de 116% dos títulos necessários para atender integralmente a meta de 2025, incluindo o saldo devedor de anos anteriores”.
Para o produtor rural, o avanço do RenovaBio e a segurança no cumprimento das metas reforçam o papel da cana na agenda ambiental e ampliam o valor estratégico da matéria-prima. A previsibilidade do mercado de CBios também sustenta investimentos em eficiência, manejo e tecnologia.
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