Safra de grãos cresce, mas crédito e clima elevam pressão no agro
Expansão de área sustenta produção enquanto financiamento exige atenção
A safra brasileira de grãos 2026/27 tem perspectiva de crescimento, sustentada principalmente pela expansão da área cultivada. O cenário, porém, combina produtividade menor em algumas das principais culturas, restrição no crédito rural e condições climáticas que exigem acompanhamento nos próximos meses.
Na edição do #CafécomPrado desta semana, a Prado Agronegócios reuniu indicadores do fechamento de 2025/26 e das primeiras projeções para o novo ciclo, além de dados sobre crédito rural, mercado de proteínas e clima. Na temporada passada, soja e milho sustentaram a produção brasileira, com volumes de 180,41 milhões e 144,01 milhões de toneladas, respectivamente.
Para 2026/27, a área de soja deve crescer 1,4%, enquanto a produtividade recua 0,8%, limitando o avanço da produção a 0,7%. No milho, a expansão prevista de 4,9% na área compensa uma queda de 2% no rendimento e permite crescimento de 2,8% na produção. Algodão, arroz e feijão também têm estimativas de produtividade abaixo da safra anterior.
Crédito rural aumenta pressão no início da safra
O financiamento aparece entre os principais pontos de atenção. Os desembolsos acumulados até agosto somaram R$ 44,3 bilhões na safra 2026/27, ante R$ 71,3 bilhões no mesmo período do ciclo anterior. A diferença é de R$ 27 bilhões, o equivalente a uma queda de 37,9%.
O cenário ganha relevância em um período de maior demanda por recursos para custeio e investimentos no campo. Além da redução nos desembolsos, os dados apresentados mostram aumento da parcela da carteira que exige acompanhamento.
Dos R$ 881,7 bilhões da carteira de crédito rural, R$ 207,4 bilhões estavam classificados como operações problemáticas. Desse montante, R$ 107 bilhões correspondiam a operações renegociadas, R$ 45,8 bilhões a inadimplentes, R$ 32,3 bilhões a prorrogadas e R$ 22,4 bilhões a contratos em atraso. O volume representa quase um quarto da carteira.
Oferta de carne bovina deve recuar em 2027
No mercado de proteínas, as projeções apontam redução da oferta de carne bovina no próximo ano. O rebanho deve passar de 226,3 milhões de cabeças em 2026 para 216,9 milhões em 2027, queda de 4,1%. A produção pode recuar 3,6%, para 11,41 milhões de toneladas, enquanto as exportações avançariam 2,2%, para 4,83 milhões.
Frango e suínos seguem em direção diferente. A produção de carne de frango é projetada em 16,70 milhões de toneladas em 2027, crescimento de 2,4%, enquanto a disponibilidade interna pode aumentar 3,2%. Na carne suína, a produção deve crescer 3,7%, para 6,15 milhões de toneladas, acompanhada de alta de 4,2% nas exportações.
Com menor disponibilidade de carne bovina e avanço das demais proteínas, o quadro projetado para 2027 aponta para uma mudança na composição da oferta destinada ao mercado brasileiro.
El Niño entra no radar para os próximos meses
O clima completa os pontos de atenção levantados nesta edição do #CafécomPrado. O monitoramento apresentado pela Prado Agronegócios registrou variação positiva de 0,2 grau Celsius em uma semana na região Niño 3.4, utilizada como referência para avaliação de El Niño e La Niña. O material destaca a necessidade de acompanhar a evolução do indicador.
Entre os dias 16 e 20 de setembro, foram registrados bons volumes de chuva no Centro-Sul, enquanto partes de Mato Grosso e Goiás tiveram acumulados entre 15 e 25 milímetros. Para a semana de 21 a 27 de setembro, a previsão apresentada concentra as precipitações em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com possibilidade de chuva também em Goiás e parte de Mato Grosso.
A distribuição das chuvas e a evolução das condições associadas ao El Niño permanecem entre os indicadores a serem acompanhados durante o avanço da safra de grãos 2026/27.
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