USDA eleva estoques globais de milho e reduz projeção para o trigo
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima as estimativas de estoques mundiais de soja, milho e algodão para a safra 2026/27, enquanto reduziu a projeção para o trigo. As mudanças constam do relatório de oferta e demanda de outubro, analisado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, e refletem ajustes na produção, no consumo e nos volumes disponíveis nos principais países produtores.
A alteração mais expressiva ocorreu no milho, cujos estoques globais passaram de 272 milhões para 280 milhões de toneladas em relação ao levantamento de setembro. A revisão foi influenciada principalmente pelos Estados Unidos, onde a estimativa de produção aumentou de 401,3 milhões para 407,3 milhões de toneladas, acompanhada de uma elevação na produtividade esperada.
Com isso, os estoques finais americanos foram elevados de 39,8 milhões para 47 milhões de toneladas. Apesar da revisão mensal, a produção mundial de milho está projetada em 1,294 bilhão de toneladas, volume 3% inferior ao da temporada anterior. O consumo, por sua vez, deverá crescer 1%, alcançando 1,313 bilhão de toneladas.
No Brasil, o USDA manteve a estimativa de produção de milho em 139 milhões de toneladas, com exportações de 43 milhões de toneladas. O consumo doméstico foi projetado em 102 milhões de toneladas, dos quais 37 milhões deverão ser destinados ao uso industrial, crescimento de 10,4% em relação à safra anterior.
Soja brasileira pode alcançar 186 milhões de toneladas
Para a soja, o USDA elevou a estimativa de produção americana de 123,4 milhões para 124,1 milhões de toneladas. Os estoques finais dos Estados Unidos também foram ajustados, passando de 8,4 milhões para 8,6 milhões de toneladas, enquanto a projeção mundial subiu de 124 milhões para 124,3 milhões de toneladas.
A produção brasileira permaneceu estimada em 186 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação à safra 2025/26. A área colhida deverá alcançar 50 milhões de hectares, com exportações previstas em 118 milhões de toneladas. O esmagamento foi mantido em 65 milhões de toneladas, diante da expectativa de maior processamento doméstico.
A China, principal destino da soja brasileira, deverá importar 115 milhões de toneladas na temporada, volume inalterado em relação ao relatório anterior. O consumo chinês está projetado em 136 milhões de toneladas, enquanto a produção local deverá alcançar 21 milhões de toneladas.
No balanço mundial, a produção de soja foi estimada em 443 milhões de toneladas, crescimento de 3% sobre a temporada anterior. O consumo deverá atingir 442 milhões de toneladas, mantendo a relação entre estoques e consumo em 28%.
Produção brasileira de trigo sofre nova redução
No mercado de trigo, o USDA reduziu de 6 milhões para 5,8 milhões de toneladas a previsão de produção brasileira em 2026/27. O volume representa uma queda de 26,3% em relação à temporada anterior, quando a colheita foi estimada em 7,9 milhões de toneladas.
A área colhida no país deverá ficar em aproximadamente 2 milhões de hectares, enquanto as importações foram mantidas em 7,5 milhões de toneladas. O consumo doméstico está projetado em 12,3 milhões de toneladas, e os estoques finais foram reduzidos de 2 milhões para 1,8 milhão de toneladas.
No cenário internacional, a produção mundial de trigo foi estimada em 822 milhões de toneladas, queda de 3% na comparação anual. Já o consumo foi revisado de 822 milhões para 824 milhões de toneladas, contribuindo para a redução dos estoques globais, projetados em 276 milhões de toneladas.
Entre os principais ajustes, a produção da União Europeia recuou de 133,8 milhões para 133 milhões de toneladas. Na Rússia, a estimativa de exportações caiu de 43 milhões para 40 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais do país aumentaram para 19,1 milhões de toneladas.
Algodão tem revisão positiva nos estoques mundiais
No algodão, o levantamento elevou a projeção de estoques globais de 15,2 milhões para 15,4 milhões de toneladas. A produção mundial deverá alcançar 25,7 milhões de toneladas em 2026/27, redução de 3% em relação à temporada anterior, enquanto o consumo está estimado em 26,8 milhões de toneladas, crescimento de 2%.
Nos Estados Unidos, a estimativa de produção passou de 2,87 milhões para 2,93 milhões de toneladas, com estoques finais revisados de 780 mil para 830 mil toneladas. A projeção de importações chinesas permaneceu em 1,5 milhão de toneladas.
Para o Brasil, o USDA projeta produção de aproximadamente 4,1 milhões de toneladas de algodão, com exportações estimadas em 3,5 milhões de toneladas. O volume exportado representa crescimento de 3,2% em relação à temporada anterior.
A China deverá produzir 7,3 milhões de toneladas, abaixo dos 7,8 milhões registrados em 2025/26. O consumo chinês foi mantido em 9,1 milhões de toneladas, com estoques finais estimados em 7,5 milhões de toneladas.
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