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Produção de açúcar recua 6% no Centro-Sul e pressiona projeções

Chuvas e maior destinação de cana ao etanol reduzem oferta na safra 2026/27

A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil recuou 6% na segunda quinzena de setembro, para 2,86 milhões de toneladas, em comparação com igual período de 2025. Os dados, divulgados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nesta quinta-feira (15), reforçam as perspectivas de menor oferta do produto na safra 2026/27, diante das dificuldades na colheita e da maior destinação de cana-de-açúcar para a fabricação de etanol.

No mesmo intervalo, a moagem atingiu 38,64 milhões de toneladas, queda de 2,9% na comparação anual. O desempenho ocorre em um momento de revisão das estimativas para a temporada. A Organização Internacional do Açúcar (OIA) reduziu sua projeção para o Centro-Sul, anteriormente calculada em 39 milhões de toneladas, e passou a considerar dificuldades para que a produção alcance 38 milhões de toneladas.

A avaliação consta do relatório de mercado de setembro da entidade, que aponta as chuvas como um dos principais fatores de pressão sobre a atividade das usinas. Caso as precipitações previstas se confirmem, o volume produzido poderá ficar significativamente abaixo desse patamar.

O impacto das condições climáticas já havia aparecido nos resultados da primeira metade de setembro, quando o processamento de cana caiu mais de 30% em relação ao ano anterior, para 30,2 milhões de toneladas. Na ocasião, a fabricação de açúcar somou 2,2 milhões de toneladas, ante 3,6 milhões de toneladas em igual período de 2025.

Até meados de setembro, a produção acumulada alcançava 26,1 milhões de toneladas, abaixo das 30,4 milhões de toneladas registradas um ano antes. Na safra 2025/26, o Centro-Sul havia produzido 40,4 milhões de toneladas.

Etanol ganha espaço na destinação da cana

Além das restrições climáticas, a mudança na composição da produção das usinas contribui para limitar a oferta de açúcar. Segundo a OIA, 53,8% do Açúcar Total Recuperável (ATR) disponível havia sido direcionado ao etanol, ante 47,7% na mesma etapa da temporada anterior.

A maior participação do biocombustível está associada à valorização de seus preços, que elevou a paridade com o açúcar para aproximadamente 16 centavos de dólar por libra-peso, sem considerar os efeitos do subsídio aos combustíveis mencionado pela entidade.

O movimento ocorre em um cenário de perda de ritmo da moagem ao longo da temporada. Em meados de agosto, o processamento acumulado ainda superava em 2,1% o resultado do ciclo anterior. Um mês depois, o volume havia recuado para 443,7 milhões de toneladas, ficando 1,5% abaixo do registrado em igual período da safra passada.

A combinação entre menor disponibilidade de matéria-prima e maior participação do etanol altera as perspectivas de produção de açúcar, mesmo em um mercado no qual as usinas continuam avaliando oportunidades de comercialização futura.

Exportações recuam e usinas ampliam proteção para 2027

A redução da oferta também aparece nos embarques brasileiros de açúcar bruto. Em agosto, as exportações somaram 2,7 milhões de toneladas, ante 3,7 milhões de toneladas no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, o volume exportado ficou 2,2 milhões de toneladas abaixo do registrado em igual intervalo do ano passado.

Apesar das perspectivas de menor produção na safra atual, a OIA identificou operações expressivas de proteção de preços realizadas por usinas brasileiras para 2027. Segundo a entidade, as empresas aproveitaram a valorização das cotações para ampliar suas posições no mercado futuro.

Para a organização, essas operações indicam a intenção das usinas de elevar a produção de açúcar na próxima temporada, em contraste com as restrições observadas no ciclo 2026/27.

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