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Açúcar opera no percentil 95 e pressiona decisão de hedge

Fundos ampliam venda recorde e Índia frustra projeção de superávit

O açúcar em Nova York encerrou a semana a 13.87 centavos de dólar por libra peso, com queda acumulada de 27 pontos, cerca de 6 dólares por tonelada, enquanto os fundos ampliaram a posição vendida para 251.443 contratos, maior nível da série do CFTC. O movimento recoloca no centro da estratégia das usinas a decisão sobre fixação de preços em um ambiente de margens comprimidas.

De acordo com Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, a conversão da cotação para reais por tonelada FOB, ajustada pelo IPCA, indica valor próximo de R$ 1.721 por tonelada em termos reais. “Estamos praticamente no percentil 95% da série histórica desde 2015, ou seja, apenas 5% do tempo estivemos em níveis iguais ou inferiores ao atual”, afirma.

A mediana real da série está em torno de R$ 2.590 por tonelada, o que significa que o mercado opera cerca de 33% abaixo do ponto de equilíbrio histórico. Para retornar ao percentil 70%, o preço teria de se aproximar de R$ 1.990 por tonelada.

Fixação exige estratégia e não reação

Para Corrêa, a discussão não pode ser conduzida apenas pela fotografia estatística. “Hedge não é exercício de percentil, é instrumento de proteção de margem e de sobrevivência financeira”, diz. Segundo ele, a decisão deve considerar custo caixa, exigências de credores e a capacidade de a estrutura de capital absorver volatilidade.

Ao mesmo tempo, vender volumes elevados nesses níveis implica consolidar preços que historicamente aparecem em momentos de estresse. O mínimo real da série foi de R$ 1.524 por tonelada. “O preço já está tão depreciado que o upside potencial começa a superar o downside adicional”, observa o executivo.

No cenário internacional, a Índia segue como variável-chave. A produção líquida, inicialmente estimada em 31.5 milhões de toneladas, deve encerrar próxima de 30 milhões, diante de rendimentos menores e encerramento antecipado de usinas. O desvio para etanol tende a ficar ao redor de 3.2 milhões de toneladas, abaixo do previsto anteriormente.

Embora haja autorização formal para exportação de cerca de 1.5 milhão de toneladas, cresce a percepção de que o volume efetivo pode ser bem menor. Parte relevante do superávit global estimado pelo mercado está concentrada no país, o que amplia a sensibilidade das cotações a qualquer frustração.

Na Tailândia, a queda internacional já é sentida no campo. O preço da cana nesta safra gira em torno de 890 baht por tonelada, ante 1.160 baht no ciclo anterior, refletindo transmissão mais direta da volatilidade externa aos produtores.

No curto prazo, o contrato maio 2026, após negociar na mínima de três anos a 13.34 centavos de dólar por libra peso, encerrou a semana a 13.49 centavos, com resistências técnicas apontadas em 13.63, 13.78, 14.40 e 15.02 centavos.

Para o diretor da Archer Consulting, a decisão final deve ser calibrada à realidade de cada empresa. “Convicção estratégica ou necessidade financeira. Cada usina precisa responder a essa pergunta antes de apertar o botão de fixação”, afirma. Em um mercado com preços reais entre os mais baixos da última década, a gestão de risco volta a ser determinante para o setor sucroenergético.

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