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Safra 2026/27 começa sob pressão e maior volatilidade

Guerra, câmbio e custos apertam margens, apesar de melhora no campo

A safra 2026/27 de cana-de-açúcar no Centro-Sul começa oficialmente nesta quarta-feira (1), em um ambiente mais complexo para o produtor rural. Além dos desafios tradicionais do campo, o setor enfrenta um cenário externo marcado por guerra, volatilidade de preços e incertezas no ambiente político e econômico.

Dados da UNICA indicam que o início das operações já vinha sendo antecipado, com 18 unidades em funcionamento na primeira quinzena de março. No entanto, o avanço foi limitado pelas chuvas, que atrasaram a moagem em diversas regiões. A expectativa é de normalização gradual ao longo de abril.

No cenário global, a guerra no Oriente Médio tem impacto direto sobre os custos. Segundo o Rabobank, o conflito elevou os preços de energia, diesel e fertilizantes, com destaque para a ureia, pressionando o custo de produção e a logística. Esse movimento também aumenta a volatilidade dos mercados e influencia diretamente o comportamento do açúcar e do etanol.

No macroeconômico, o câmbio segue como fator de atenção. Ainda de acordo com o Rabobank, a expectativa é de dólar próximo a R$ 5,55 ao fim de 2026, em um ambiente marcado por tensões geopolíticas e incertezas fiscais e eleitorais. Esse cenário pode favorecer as exportações, mas amplia o risco e dificulta o planejamento.

As estimativas de produção seguem robustas. De acordo com a DATAGRO, a moagem no Centro-Sul deve se aproximar de 620 milhões de toneladas, com produção de açúcar acima de 42 milhões de toneladas e etanol próximo de 34 bilhões de litros, somando cana e milho. O mix tende a seguir mais açucareiro, dependendo da evolução dos preços ao longo do ciclo.

No entanto, a sustentação de preços não garante alívio para o produtor. O Itaú BBA, em seu boletim Agro Mensal de março, destaca que o setor entra na safra com margens pressionadas, diante da combinação entre custos elevados e maior volatilidade de mercado, especialmente em função da energia e do câmbio.

Esse cenário é reforçado pelos dados do Pecege, que apontam custo da cana ainda elevado, mesmo com expectativa de redução entre 5% e 7% em alguns casos. A pressão sobre os insumos e as operações segue sendo um dos principais desafios para a rentabilidade da atividade.

Ao mesmo tempo, o mercado mostra movimentos relevantes. A recente alta do petróleo e do açúcar incentivou a fixação antecipada, com estimativas indicando que mais de 40% da safra já está precificada. Ainda assim, esse percentual permanece abaixo do observado em anos anteriores, o que reforça a cautela.

Produtividade melhora, mas margens seguem pressionadas

Do ponto de vista agrícola, a safra traz sinais positivos. Há expectativa de recuperação do TCH e da qualidade da matéria-prima, favorecida pelas chuvas recentes. Esse ganho de produtividade, no entanto, não deve ser suficiente para compensar totalmente o avanço dos custos.

O próprio mercado já sinaliza esse cenário. A percepção predominante é de que as margens tendem a seguir apertadas ao longo do ciclo, exigindo maior eficiência operacional e controle rigoroso de custos.

No mix de produção, o etanol pode ganhar espaço ao longo da safra. Segundo o Rabobank, a alta do petróleo e possíveis ajustes nos preços da gasolina tendem a favorecer o biocombustível, influenciando a decisão das usinas e reduzindo a oferta de açúcar em determinados momentos.

Além disso, o ambiente institucional também entra no radar. A incerteza sobre a revisão do Consecana e o próprio cenário eleitoral ampliam a cautela e impactam as decisões de investimento e comercialização.

Diante desse conjunto de fatores, a safra 2026/27 se desenha como uma das mais desafiadoras dos últimos anos. Ao mesmo tempo, o setor segue resiliente, com avanços em tecnologia, gestão e eficiência.

No dia 24 de abril, a Canaoeste realiza seu evento de abertura da safra, quando será apresentado um panorama atualizado do setor, com análises de mercado, produção e perspectivas para o ciclo.

Mesmo diante das dificuldades, o produtor rural segue fazendo o que sabe. Ajusta, planeja e trabalha. Como sempre digo, Deus é brasileiro e ajuda quem é do campo.

Almir Torcato é diretor executivo da Canaoeste

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