Manejo do solo ganha peso com custo da cana em R$ 175 por tonelada
Eficiência operacional avança como estratégia para proteger margens
Com custo operacional médio de cerca de R$ 175 por tonelada de cana-de-açúcar e preços em queda, produtores do Centro-Sul têm ampliado o foco em eficiência para sustentar a rentabilidade da atividade na safra 2026/27. A avaliação foi apresentada pelo economista Glauber dos Santos, da Pecege Consultoria e Projetos, durante encontro técnico realizado em Piracicaba – SP, que reuniu especialistas e produtores para discutir produtividade, manejo do solo e redução de custos no campo.
Promovido pela Allterra em parceria com a Novello Agronegócios, o evento destacou que as operações agrícolas representam atualmente cerca de 52% do custo total da produção de cana, enquanto os insumos respondem por 25% e o arrendamento por 17%. Na prática, os dados reforçam que o ganho operacional e o uso mais preciso de insumos passaram a ser determinantes para preservar margens em um cenário de maior pressão financeira.
Segundo Glauber dos Santos, o setor começa a observar sinais de recuperação da produtividade após ciclos marcados por clima adverso e aumento de custos. Ainda assim, a tendência é de maior seletividade nos investimentos e foco crescente em gestão técnica das áreas produtivas.
Manejo mais técnico do solo
Ao longo do encontro, especialistas defenderam que decisões ligadas ao manejo do solo passaram a ter impacto direto sobre produtividade e eficiência econômica. Para Renan Alecio, gerente agrícola da Novello Agronegócios, a adoção de uma gestão mais orientada por dados alterou a forma de condução das operações no campo.
Segundo ele, a análise mais aprofundada das condições do solo permitiu direcionar melhor os investimentos e ajustar práticas agrícolas conforme as necessidades de cada área. O executivo afirmou que o manejo tradicional, isoladamente, deixou de ser suficiente para sustentar ganhos consistentes de produtividade nos canaviais.
Atualmente, o acompanhamento de indicadores relacionados ao solo integra a rotina operacional da fazenda e influencia decisões sobre aplicação de insumos, correção, planejamento produtivo e definição de estratégias ao longo da safra. A expectativa, segundo Alecio, é ampliar previsibilidade e melhorar o aproveitamento dos recursos utilizados na operação.
Durante a programação, a Allterra apresentou resultados comparativos relacionados ao uso da biotecnologia Microgeo em diferentes parâmetros agronômicos e produtivos, indicando potencial de avanço em produtividade e eficiência a partir de um manejo mais estruturado do solo.
Escolha varietal influencia desempenho
Outro tema abordado no encontro foi a definição das variedades de cana-de-açúcar. Em apresentação conduzida por Daniel Nunes, do Instituto Agronômico (IAC), foram discutidos critérios técnicos para escolha varietal considerando fatores como tipo de solo, condições climáticas e características regionais.
A recomendação técnica destacou que decisões tomadas ainda no planejamento inicial da lavoura influenciam diretamente o desempenho da cultura ao longo do ciclo produtivo. Também foi reforçada a importância do investimento em mudas de qualidade, em substituição ao reaproveitamento de materiais oriundos de cortes anteriores, como estratégia para elevar a uniformidade do canavial e melhorar os índices de produtividade.
Entre os participantes do encontro, prevaleceu a avaliação de que, diante do aumento dos custos agrícolas e da maior pressão sobre as margens, o solo deixou de ser apenas um recurso produtivo e passou a ocupar papel estratégico na sustentabilidade econômica da atividade canavieira.