Commodities agrícolas têm semana de ajustes e maior cautela
Soja, milho, café e boi gordo reagem a clima, geopolítica e oferta
Os mercados agrícolas encerraram a semana sob influência de fatores climáticos, tensões geopolíticas e perspectivas de oferta mais ampla em algumas cadeias produtivas. O cenário foi detalhado no relatório Conexão Mercado Agro, divulgado pelo Banco do Brasil, que reúne análises sobre as principais commodities acompanhadas pelo mercado nacional e internacional.
No ambiente externo, a escalada dos conflitos no Oriente Médio elevou a volatilidade dos mercados e trouxe incertezas para ativos ligados ao agronegócio. Ao mesmo tempo, indicadores econômicos dos Estados Unidos e da Europa reforçaram a cautela dos investidores, enquanto, no Brasil, inflação, juros e questões fiscais permaneceram no radar dos agentes econômicos.
Soja acompanha clima nos EUA e demanda global
No mercado da soja, as atenções se concentraram no relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que manteve inalterada a estimativa da safra norte-americana 2026/27 em 120,7 milhões de toneladas. Para o Brasil, a projeção da safra 2025/26 foi mantida em 180 milhões de toneladas, enquanto a produção argentina foi revisada de 48 para 50 milhões de toneladas.
No mercado interno, a comercialização ganhou ritmo nos portos, impulsionada pelo fortalecimento do dólar e pela valorização dos prêmios de exportação. Os preços registraram variação média positiva de 0,8% nas principais regiões produtoras. O Banco do Brasil avalia que o clima nos Estados Unidos e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio continuarão influenciando as cotações nas próximas semanas.
Milho enfrenta pressão da oferta sul-americana
No caso do milho, a maior disponibilidade do cereal na América do Sul segue pressionando os preços internacionais. A Argentina manteve a estimativa de produção em 64 milhões de toneladas, volume recorde e 15% superior ao ciclo anterior. A colheita no país já alcançou cerca de 40% da área cultivada.
No Brasil, a colheita da segunda safra avança, ainda em ritmo próximo da média histórica. A combinação entre oferta crescente, plantio praticamente concluído nos Estados Unidos e estoques globais elevados mantém o viés de acomodação dos preços no curto prazo. Apesar disso, a valorização do dólar pode favorecer a competitividade do milho brasileiro nas exportações.
Café oscila entre safra maior e riscos climáticos
O mercado de café permanece marcado pela volatilidade. O avanço da colheita brasileira amplia gradualmente a oferta do produto, mas os baixos estoques globais, a redução dos estoques certificados de arábica e as preocupações com o clima seguem sustentando oscilações nas bolsas internacionais. Também permanece no radar a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño nos próximos meses.
Segundo o relatório, a colheita avança nas principais regiões produtoras brasileiras, favorecida pelo tempo mais seco registrado em junho. Entretanto, a disponibilidade de café arábica ainda é limitada, uma vez que parte dos primeiros lotes já está comprometida por contratos previamente firmados. A expectativa é de normalização mais expressiva da oferta a partir de agosto.
Exportações sustentam mercado do boi gordo
Na pecuária, as exportações seguem como principal fator de sustentação do mercado. Nos quatro primeiros dias úteis de junho, os embarques de carne bovina in natura alcançaram 62,6 mil toneladas, com crescimento de 30% no volume médio diário em relação ao mesmo período de 2025. O preço médio da tonelada exportada avançou 21% na comparação anual.
Apesar do bom desempenho externo, o mercado doméstico atravessa um momento de maior equilíbrio entre oferta e demanda. O boi gordo permaneceu estável em São Paulo, enquanto frigoríficos e pecuaristas mantêm negociações cautelosas. Para os próximos meses, o Banco do Brasil destaca que o mercado acompanhará com atenção o ritmo das exportações para a China, sobretudo diante da proximidade do limite da cota de embarques, fator que poderá influenciar a formação dos preços no mercado interno.
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