Dia de campo aproxima produtores de tecnologias para a cana em Sertãozinho – SP
Estação Agro Bota reúne empresas e apresenta manejos em condições reais
A busca por alternativas para reduzir custos e aumentar a eficiência no campo motivou a criação da Estação Agrícola Agro Bota, em Sertãozinho – SP. O espaço, idealizado pelo produtor e associado da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), Sérgio Bota da Silva, recebeu, no dia 17 de junho, o 1º Dia de Campo Agro Bota Tecnologia.
O encontro reuniu produtores, técnicos, consultores e empresas fornecedoras de insumos em uma área experimental de oito hectares. O espaço foi dividido em parcelas de meio hectare, com áreas testemunhas ao lado de cada tratamento, permitindo a comparação direta entre os manejos apresentados pelas empresas participantes.
Segundo Bota, a iniciativa nasceu da necessidade de oferecer informações práticas aos produtores em um momento de margens mais apertadas e custos elevados. “O produtor precisa conhecer as opções disponíveis, entender o investimento necessário e avaliar qual tecnologia faz mais sentido para a sua realidade. Aqui ele consegue visualizar isso no campo, com comparações e resultados”, afirmou.
O produtor informou ainda que a produtividade de suas áreas está entre 80 e 86 toneladas por hectare nesta safra, mas destacou que o cenário exige atenção, principalmente em relação aos custos de produção e ao manejo fitossanitário. Entre os principais desafios estão as pragas, tema que concentrou parte das soluções apresentadas no evento.
Tecnologia aplicada ao manejo
A estação agrícola foi estruturada para acompanhar, ao longo do ciclo da cultura, o desempenho de diferentes estratégias agronômicas voltadas à cana-de-açúcar. A proposta é transformar a área em um espaço permanente de observação técnica, aproximando empresas, consultores e produtores em torno dos desafios encontrados nas lavouras.
A engenheira agrônoma Ana Laura Lovato, filha de Bota e integrante da coordenação do projeto, afirma que a estação foi concebida para aproximar a pesquisa da realidade do produtor. Segundo ela, reunir diferentes manejos em uma mesma área permite observar como cada solução se comporta no campo e quais alternativas podem ter melhor adaptação às condições locais.
O consultor agronômico Mateus Piccoli, com mais de duas décadas de experiência na cultura canavieira e integrante do projeto, destaca que a iniciativa também amplia a interação entre produtores, empresas e especialistas. Para ele, esse ambiente favorece a troca de experiências, o acesso a informações técnicas e a difusão de novas tecnologias no setor.
Atualização técnica e troca de experiências
Profissionais da Canaoeste também participaram do evento. O técnico agronômico João Pedro Gomes Fontanari destacou que iniciativas como essa aproximam a assistência técnica das necessidades dos produtores e permitem acompanhar, na prática, alternativas de manejo que podem contribuir para o planejamento das propriedades.
Já o assistente agronômico Victor Prati Gilbert ressaltou que o evento também favorece o network entre produtores, técnicos e empresas. Segundo ele, essa troca se torna ainda mais importante em um ano marcado por custos elevados e maior pressão sobre a rentabilidade da atividade.
Atualmente, a Estação Agro Bota reúne 14 empresas parceiras. Para os próximos ciclos, a proposta é ampliar o número de áreas experimentais e incorporar novos ensaios voltados ao manejo da cana-de-açúcar em condições comerciais de produção.