Moagem cai no Centro-Sul, mas etanol mantém ritmo forte de vendas
Competitividade do hidratado sustenta consumo e amplia produção na safra 2026/27
A competitividade do etanol hidratado frente à gasolina continua impulsionando o mercado brasileiro de biocombustíveis, mesmo em um cenário de menor oferta de cana-de-açúcar no Centro-Sul. Em maio, as vendas totais de etanol alcançaram 2,88 bilhões de litros, com destaque para o hidratado, que respondeu por 1,79 bilhão de litros do volume comercializado pelas unidades produtoras da região, conforme divulgação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), nesta segunda-feira (22).
No mercado doméstico, as vendas de etanol anidro somaram 1,09 bilhão de litros, alta de 1,66% em relação ao mesmo período da safra anterior. Já o etanol hidratado registrou crescimento de 2,09% na média diária de comercialização em dias úteis, atingindo 1,77 bilhão de litros. O desempenho ganhou força ao longo do mês: na segunda quinzena de maio, as vendas diárias chegaram a 91,82 milhões de litros, avanço de 10,02% sobre o início da safra.
Etanol amplia vantagem nos postos
A relação de preços entre etanol hidratado e gasolina seguiu favorável ao biocombustível. Na última semana de maio, a paridade média nacional ficou em 63,7%, enquanto em São Paulo atingiu 60,7%, abaixo do limite técnico considerado vantajoso para os consumidores.
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostrou que, entre 387 municípios pesquisados, 257 apresentaram preços do etanol competitivos em relação à gasolina. Nos estados de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, todos os municípios avaliados registraram vantagem econômica para o uso do biocombustível.
Desde o início da safra até 1º de junho, a comercialização total de etanol pelas unidades do Centro-Sul alcançou 5,66 bilhões de litros. Desse total, 3,55 bilhões correspondem ao etanol hidratado, enquanto o anidro acumulou 2,11 bilhões de litros, volume 2,06% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Moagem recua, mas qualidade da cana melhora
A oferta de matéria-prima, por outro lado, apresentou retração. Na segunda quinzena de maio, a moagem no Centro-Sul totalizou 41,55 milhões de toneladas, queda de 13,08% em relação às 47,80 milhões de toneladas processadas no mesmo período da safra 2025/2026. No acumulado da safra 2026/27 até 1º de junho, o volume processado atingiu 144,71 milhões de toneladas.
Ao todo, 250 unidades produtoras operaram na segunda metade de maio, sendo 231 usinas com processamento de cana, dez unidades dedicadas ao etanol de milho e nove usinas flex. Quatro unidades iniciaram suas atividades no período, número ligeiramente inferior ao observado na safra passada, quando 253 plantas estavam em operação.
Apesar da menor moagem, a qualidade da matéria-prima avançou. O teor de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) atingiu 125,87 kg por tonelada de cana na segunda quinzena de maio, alta de 1,09% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. No acumulado da safra, o indicador alcança 119,73 kg de ATR por tonelada, crescimento de 2,35%.
Produção de açúcar cai e etanol cresce
A produção de açúcar acompanhou a menor disponibilidade de cana. Nos primeiros quinze dias de maio, foram produzidas 2,20 milhões de toneladas, redução de 25,62% em comparação às 2,96 milhões de toneladas registradas em igual período da safra passada. Desde o início do ciclo, a fabricação do adoçante soma 6,84 milhões de toneladas.
Em sentido oposto, a produção de etanol segue em expansão. Na segunda quinzena de maio, as unidades do Centro-Sul produziram 2,13 bilhões de litros, dos quais 1,33 bilhão de litros de hidratado, com crescimento de 8,32%, e 796 milhões de litros de anidro. No acumulado da safra, a produção totaliza 7,54 bilhões de litros, avanço de 31,55% sobre o mesmo período do ciclo anterior.
O etanol de milho também ampliou sua participação na matriz de produção. Na segunda metade de maio, a fonte respondeu por 19,41% do volume produzido, equivalente a 413,2 milhões de litros, alta de 12,38% em relação à safra anterior. No acumulado de 2026/27, a produção de etanol de milho alcança 1,57 bilhão de litros, com expansão de 8,63%.
No mercado de descarbonização, os dados da B3 indicam a emissão de 20,07 milhões de CBios em 2026. Considerando os créditos disponíveis para negociação e aqueles já aposentados para cumprimento das metas do ano, o setor já disponibilizou cerca de 72% dos títulos necessários para atender integralmente às exigências do programa até o fim de 2026.
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