Fretes seguem elevados apesar do avanço da colheita recorde de grãos
Boletim da Conab aponta pressão logística, custos de insumos e reflexos para o agro
A perspectiva de uma safra recorde de grãos continua sustentando os preços do transporte rodoviário de produtos agrícolas no país, mesmo após o encerramento da colheita das principais culturas de verão. A avaliação é da edição de junho do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que mostra um mercado de fretes aquecido em importantes corredores de escoamento e indica que a demanda por transporte permanece acima do esperado para esta época do ano.
O comportamento do mercado surpreende porque, tradicionalmente, a conclusão da colheita da soja reduz a necessidade de transporte e pressiona as cotações para baixo. Neste ciclo, porém, a produção recorde da oleaginosa manteve elevado o volume de cargas, limitando esse movimento e sustentando os preços em níveis próximos aos observados entre fevereiro e março, período de maior intensidade da safra.
Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o aumento da produção de soja, estimado em 8,8 milhões de toneladas em relação à safra anterior, continua impulsionando a demanda por transporte rodoviário. O cenário reforça a importância da logística para garantir o fluxo da produção agrícola em um momento de forte movimentação de cargas.
Custos variam entre as regiões
Nos principais estados produtores, o comportamento dos fretes foi heterogêneo. Em Mato Grosso, maior produtor de grãos do país, os preços apresentaram pequenas oscilações em relação ao mês anterior, mas permaneceram em patamares elevados. Em Mato Grosso do Sul, a demanda por transporte continuou firme, sustentada pelo escoamento da produção e pelas exportações.
No Distrito Federal e no Maranhão, os fretes registraram alta moderada, influenciados principalmente pelo custo do diesel e pelo avanço da colheita de soja e milho. No estado nordestino, o escoamento para o mercado interno e para exportação, via Porto do Itaqui, manteve pressão sobre a logística e resultou em aumento de aproximadamente 1,2% nas tarifas entre abril e maio.
Já no Paraná, a valorização do diesel S-10, negociado em média a R$ 6,38 por litro, contribuiu para manter elevados os custos em algumas rotas. Em contrapartida, Goiás, Bahia, Piauí e São Paulo registraram recuo nos fretes, reflexo da redução da demanda após a colheita da soja, do período que antecede a entrada do milho de segunda safra no mercado e, no caso paulista, também da menor pressão da indústria e da queda nos custos do combustível.
Exportações seguem em ritmo forte
O boletim também mostra que o escoamento da produção brasileira continua intenso. Entre janeiro e maio, as exportações de milho alcançaram 7,5 milhões de toneladas, acima dos 6,1 milhões registrados no mesmo período de 2025. Os portos do Arco Norte responderam por 33,5% dos embarques, seguidos por Santos, Paranaguá e Rio Grande.
No caso da soja, os embarques acumulados chegaram a 55,1 milhões de toneladas até maio. Os portos do Arco Norte concentraram 38,5% do volume exportado, enquanto Santos respondeu por 36,8%, confirmando a relevância desses corredores para o comércio exterior brasileiro.
Além do cenário logístico, a Conab destaca fatores que permanecem no radar do setor agropecuário. As importações brasileiras de fertilizantes somaram 15,05 milhões de toneladas entre janeiro e maio, volume ligeiramente inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. O boletim também aponta que os elevados custos dos insumos, as incertezas geopolíticas e a expectativa de intensificação do El Niño no segundo semestre podem influenciar as próximas safras e continuar impactando o planejamento logístico e produtivo do agronegócio.
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