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Safra recorde pressiona açúcar, mas clima pode limitar oferta global

Hedgepoint aponta excedente em 2026/27 e monitora efeitos do El Niño

A combinação entre ampla oferta no Centro-Sul do Brasil e incertezas climáticas em importantes regiões produtoras, deve manter o mercado internacional de açúcar dividido nos próximos meses. Avaliação da consultoria Hedgepoint indica que, embora o excedente global continue pressionando as cotações, eventos climáticos no Hemisfério Norte podem reduzir a produção e dar sustentação aos preços ao longo da safra 2026/27.

Segundo a atualização trimestral de mercado da consultoria, a produção brasileira levou os preços do açúcar bruto aos menores patamares desde 2020. Ainda assim, a empresa avalia que condições climáticas adversas na Índia, Tailândia, Europa e América Central podem restringir a oferta durante a safra 2026/27 do Hemisfério Norte, criando suporte para o mercado no médio prazo.

Excedente global continua limitando recuperação

Na avaliação da Hedgepoint, o balanço mundial da safra 2026/27 segue indicando excedente de açúcar, fator que mantém pressão sobre as cotações internacionais. Além da oferta elevada no Brasil, um inverno mais chuvoso no Centro-Sul pode favorecer a entressafra e ampliar a disponibilidade da commodity.

Ao mesmo tempo, a consultoria destaca que o aumento do prêmio do açúcar branco tende a estimular a demanda por esse produto. Os resultados da moagem do Centro-Sul também permanecem no radar do mercado, já que poderão indicar se a disponibilidade da matéria-prima continuará suficiente para manter o atual cenário de oferta.

Fenômeno climático amplia riscos para a safra

O comportamento do El Niño é outro ponto de atenção. De acordo com a Hedgepoint, os modelos climáticos indicam elevada probabilidade de o fenômeno persistir durante o segundo semestre de 2026 e avançar até o início de 2027, aumentando os riscos para diversas commodities agrícolas.

Para o açúcar, a expectativa é de maior volume de chuvas no Sul do Brasil, enquanto regiões como América Central e Sudeste Asiático podem enfrentar clima mais quente e seco, além de monções mais fracas. Essas condições podem comprometer a produção em importantes polos exportadores e reduzir parte da oferta prevista para o mercado internacional.

Embora o relatório não traga projeções específicas para o mercado de etanol, a Hedgepoint observa que o cenário global de energia continuará influenciado pela geopolítica, pela trajetória dos preços do petróleo e pelas decisões de política monetária. Para o açúcar, a evolução das condições climáticas e o desempenho da safra no Centro-Sul devem seguir como os principais vetores para a formação dos preços nos próximos meses.

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