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Déficit global e menor mix podem sustentar preços do açúcar

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A perspectiva de déficit global de açúcar, somada aos problemas de produção na Ásia e às incertezas sobre a safra do Centro-Sul, pode sustentar uma recuperação das cotações nos próximos meses. A avaliação é de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan (Caio Carvalho), que vê o Brasil no centro das atenções do mercado internacional.

O consultor apresentou a palestra “Cenário e Perspectivas para o Mercado de Cana” durante o Rally Alion Pro, realizado pela Bayer em 8 de junho, na região de Barretos – SP. Ao analisar a safra 2026/27, afirmou que as dificuldades enfrentadas pelo setor no curto prazo contrastam com fundamentos que começam a indicar uma mudança de cenário.

“O foco é o Brasil. A gente já sabe tudo o que está acontecendo nos outros países. A questão é: o Brasil vai fazer mais açúcar ou menos açúcar?”, afirmou. Segundo o diretor, as decisões das usinas do Centro-Sul ganharam peso diante das restrições enfrentadas por outros grandes produtores.

Oferta mais apertada coloca Brasil no foco

Carvalho destacou os problemas climáticos na Ásia, especialmente na Índia e na Tailândia, como fatores de atenção para o balanço mundial. A menor disponibilidade nesses mercados aumenta a dependência da produção brasileira e amplia a influência do país sobre a formação dos preços.

Nesse cenário, ele considera otimistas as projeções de produção brasileira de 40 milhões de toneladas de açúcar. Segundo os dados apresentados, o mix de açúcar acumulava queda de 7,8 pontos percentuais em relação ao mesmo período da safra anterior. Mantida essa tendência, o mix poderia encerrar o ciclo próximo de 45%, patamar que, segundo o executivo, não seria suficiente para uma produção de 38 milhões de toneladas.

Após superávit na safra 2025/26, as projeções apontam para déficit global em 2026/27. Um balanço mais apertado tende a ampliar a sensibilidade das cotações a eventuais problemas na produção brasileira.

Chuvas podem influenciar a oferta

As condições climáticas no Centro-Sul também estão entre os fatores acompanhados pela Canaplan. As chuvas de outono e as precipitações durante parte do inverno podem favorecer a produtividade agrícola, mas uma primavera mais úmida elevaria os riscos de dificuldades operacionais na colheita e na moagem.

Na avaliação do diretor, esse quadro pode resultar em maior volume de cana bisada e limitar a capacidade de entrega do Brasil. A perspectiva de menor oferta brasileira, combinada ao déficit global, abre espaço para uma recuperação das cotações nos próximos meses.

O movimento dos fundos especulativos começa a refletir essa expectativa. Após um período de posições vendidas, investidores passaram a rever suas estratégias diante das condições da safra brasileira e dos problemas de produção na Ásia.

“Quando eles começam a perceber a realidade brasileira e a realidade das monções, os fundos saem daquela posição toda vendida e começam a comprar”, disse. A expectativa apresentada pela Canaplan é de retorno a níveis de preços mais remuneradores entre o segundo semestre de 2026 e 2027.

Etanol ainda enfrenta desafios

No mercado doméstico, o etanol continua enfrentando um ambiente desafiador. Embora cerca de 76% da frota brasileira seja formada por veículos flex, o consumo do biocombustível ainda está abaixo do potencial indicado pelo tamanho desse mercado, segundo o consultor.

A política de preços da gasolina é apontada como um dos fatores que reduzem a competitividade do etanol. Para Carvalho, a diferença entre as referências internacionais e os valores praticados no Brasil pode contribuir para a formação de estoques mais elevados do biocombustível.

A participação do etanol hidratado no ciclo Otto passou de 28,9% em 2025 para 33,9% em 2026, conforme os dados apresentados. Ainda assim, uma safra mais alcooleira pode manter o mercado pressionado nos próximos meses caso a demanda não absorva o aumento da oferta.

Uma eventual valorização do açúcar a partir de setembro ou outubro, porém, pode alterar esse cenário. Com cerca de 50% da produção ainda fixada, abaixo da média de outros ciclos, as usinas mantêm margem para rever o mix de produção, movimento que tende a influenciar também o mercado de etanol.

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