Manejo do Sphenophorus avança com foco no ciclo da praga
Controle após a colheita busca reduzir danos e preservar o canavial
O avanço do Sphenophorus levis nasáreas de cana-de-açúcar tem exigido estratégias mais precisas de controle. Dados apresentados no InsectShow 2026 mostram que a área tratada contra a praga passou de 2,626 milhões de hectares em 2023 para 4,154 milhões em 2025.
O tema foi discutido na palestra “A era da transformação no manejo do Sphenophorus”, apresentada por José Francisco Garcia, da Global Cana, e José Rufato, da Syngenta, durante o evento realizado pelo Grupo Idea, em 22 de julho, em Ribeirão Preto – SP. A discussão destacou o comportamento do inseto, o momento de intervenção e a tecnologia de aplicação como pontos decisivos para aumentar a eficiência do manejo.
Segundo Garcia, o Sphenophorus deixou de ser considerado uma praga secundária e ganhou importância econômica à medida que avançou pelas regiões produtoras. Parte dessa disseminação está relacionada ao transporte de mudas e máquinas agrícolas entre áreas.
“Embora tenha capacidade de voo, ela não se dispersa por voo. Quem leva somos nós, as máquinas e as mudas”, afirmou. Para o especialista, conhecer a forma de dispersão é importante tanto para o controle nas propriedades quanto para evitar a introdução do inseto em regiões ainda não infestadas.
O impacto também vai além da perda imediata de produtividade e qualidade. O ataque, principalmente na fase larval, compromete a base das plantas e pode reduzir a longevidade do canavial, antecipando a renovação de áreas que poderiam permanecer produtivas por mais cortes.
Primeiros 90 dias concentram atenção do manejo
O ciclo completo do Sphenophorus levis é estimado em cerca de 70 dias, com possibilidade de quatro a cinco gerações por ano. Garcia ponderou, porém, que o potencial teórico de multiplicação não se reproduz integralmente no campo, onde a população sofre pressão de doenças, predadores e parasitoides.
Nesse cenário, os primeiros 90 dias após a colheita foram apontados como uma janela crítica. A estratégia é reduzir a presença de adultos no ambiente e proteger os novos perfilhos antes que novas gerações ampliem a infestação.
Um dos desafios está na qualidade da aplicação. Garcia afirmou que novas modalidades vêm sendo avaliadas e ponderou que, embora uma segunda intervenção possa ser necessária em determinadas situações, ainda faltam resultados para sustentar sua eficiência de maneira generalizada.
“A segunda aplicação ainda tem muita água para passar debaixo da ponte. Ela é necessária, porém, hoje nós não temos sustentação para mostrar a eficácia dela”, afirmou. Segundo o especialista, a limitação está principalmente na tecnologia utilizada para posicionar corretamente os produtos no campo.
Novas ferramentas entram nas avaliações de campo
Entre as alternativas apresentadas está uma molécula à base de Plinazolin, ainda em fase de registro. Resultados consolidados de sete áreas indicaram redução de 70% no número de adultos por hectare aos 90 dias após a aplicação em relação à testemunha. Também foram apresentados dados de avaliações realizadas aos 180 dias em corte de soqueira e vinhaça localizada.
Por se tratar de uma tecnologia ainda em processo de registro, os números apresentados são resultados experimentais e não constituem recomendação de uso comercial.
Para Garcia, a evolução do controle dependerá da combinação entre conhecimento sobre a praga, qualidade da aplicação e critérios técnicos para definir quando e como intervir. Com o aumento da área afetada, o desafio passa por conter a disseminação para novas regiões e melhorar o controle onde o Sphenophorus já está estabelecido.