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Exportações de açúcar recuam 19% em julho, aponta Itaú BBA

açúcar

Etanol cresce 18% no mês, mas acumula queda de 41% no ano

As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 16,3 bilhões em julho, alta de 5% em relação ao mesmo mês de 2025 e o maior valor já registrado para o período. Apesar do recorde, o complexo sucroenergético teve desempenho desigual, com retração nos embarques e nos preços do açúcar e recuperação mensal do etanol.

Segundo o Radar Agro, elaborado pela Consultoria Agro do Itaú BBA com dados da Secretaria de Comércio Exterior, os embarques de açúcar VHP chegaram a 2,53 milhões de toneladas em julho. O volume ficou 9% abaixo de junho e recuou 19% na comparação anual, redução de cerca de 600 mil toneladas em relação a julho de 2025.

A receita com o açúcar VHP alcançou US$ 850 milhões. O preço médio de exportação ficou em US$ 335,80 por tonelada, queda de 17% em um ano e de 1% na comparação mensal. O açúcar refinado seguiu direção diferente em volume, com 452 mil toneladas exportadas, avanço de 1% em relação a julho de 2025 e de 33% sobre junho. A receita foi de US$ 177 milhões.

Mesmo com o aumento dos embarques de refinado, o preço médio caiu 16% na comparação anual, para US$ 390,60 por tonelada. O resultado não foi suficiente para compensar a retração do VHP, que responde pela maior parcela das vendas externas brasileiras do produto.

Oferta global pressiona exportações brasileiras de açúcar

O Itaú BBA atribui o desempenho mais fraco do açúcar à elevada disponibilidade mundial da commodity no curto prazo e à demanda internacional retraída. A consultoria estima superávit global de 2,8 milhões de toneladas na safra 2025/26.

A redução das compras de importantes destinos também pesa sobre os embarques brasileiros. Entre janeiro e julho, as exportações para a China recuaram 34% na comparação com igual período de 2025. Na Indonésia, o Brasil vendeu menos de 100 mil toneladas, ante cerca de 1 milhão de toneladas nos sete primeiros meses do ano passado.

A maior disponibilidade de açúcar na Ásia ajuda a explicar esse movimento. A China atingiu produção recorde de 12,9 milhões de toneladas na safra 2025/26 e deve superar novamente esse patamar em 2026/27. A Tailândia, principal fornecedora do mercado asiático, produziu 11,9 milhões de toneladas na última temporada, reduzindo a necessidade de importação da Indonésia.

No acumulado de janeiro a julho, o Brasil exportou 13,29 milhões de toneladas de açúcar VHP, queda de 7% em relação ao mesmo período de 2025. A receita foi de US$ 4,63 bilhões e o preço médio recuou 21%, de US$ 440,10 para US$ 347,90 por tonelada.

No açúcar refinado, foram embarcadas 1,95 milhão de toneladas nos primeiros sete meses do ano, redução de 10% na comparação anual. A receita chegou a US$ 805 milhões, enquanto o preço médio caiu 18%, para US$ 413,40 por tonelada.

Etanol reage no mês, mas embarques acumulados caem

O etanol apresentou recuperação em julho, com exportações de 179 mil metros cúbicos, 18% acima do registrado no mesmo mês de 2025. Em relação a junho, o crescimento foi de 162%. A receita atingiu US$ 97 milhões, com preço médio de US$ 539,70 por metro cúbico.

A melhora mensal, porém, ainda não reverteu a queda observada ao longo do ano. De janeiro a julho, as exportações somaram 528 mil metros cúbicos, recuo de 41% ante os 901 mil metros cúbicos registrados no mesmo período de 2025. Segundo o Itaú BBA, esse é o menor volume para o período desde 2003.

A receita acumulada com o biocombustível chegou a US$ 313 milhões. Em sentido contrário ao volume, o preço médio avançou 4% na comparação anual, de US$ 571,90 para US$ 593 por metro cúbico. Mantido o ritmo atual, a consultoria avalia que os embarques da safra dificilmente superarão os 1,6 bilhão de litros registrados na temporada anterior.

Para o açúcar, o cenário comercial poderá mudar nos próximos meses. O Itaú BBA aponta que uma eventual quebra da safra da Tailândia tende a reduzir a oferta asiática e reconfigurar os fluxos comerciais na região, abrindo espaço para maior participação do Brasil. Esse movimento poderá ganhar força caso a Índia mantenha uma postura mais restritiva em relação às exportações.

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