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Açúcar ganha força e abre janela para fixação de preços

Fundos voltam às compras e menor oferta sustenta recuperação em Nova York

A recuperação do açúcar em Nova York abre uma nova janela para fixação de preços após meses de pressão sobre as margens do setor. O contrato Outubro/26 encerrou a quinta-feira (13) a 16,60 cents/lb, depois de alcançar 17,11 cents/lb durante a semana, maior nível em 15 meses.

Segundo Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, o movimento ganhou força na sexta-feira (7), quando o Outubro/26 avançou 5,65% e chegou a 16,45 cents/lb. Na terça-feira (11), subiu para 16,73 cents/lb e, no pregão seguinte, tocou a máxima de 17,11 cents/lb antes de uma realização de lucros.

A correção levou o contrato a fechar a quarta-feira (12) em 16,42 cents/lb, queda de 1,85%. No dia seguinte, porém, a cotação voltou a avançar e terminou em 16,60 cents/lb. Para Corrêa, a reação após a realização de lucros é um indicativo da força que o mercado adquiriu nas últimas sessões.

Fundos mudam posição e déficit dá suporte ao açúcar

Outro sinal veio dos fundos não indexados, que passaram a carregar posição líquida comprada de 25 mil lotes, considerando os dados da terça-feira. É a primeira vez desde dezembro de 2024 que esses participantes aparecem comprados, em meio às revisões para baixo na oferta e às incertezas climáticas.

As projeções para o balanço mundial também ficaram mais apertadas. A Green Pool praticamente dobrou sua estimativa de déficit global para 2026/27, de 1,76 milhão para 3,3 milhões de toneladas. A Czarnikow, por sua vez, calcula produção de 178,3 milhões de toneladas e consumo de 179,2 milhões, diferença de 900 mil toneladas.

Para 2027/28, a empresa projeta déficit de 2,9 milhões de toneladas, diante da expectativa de menor disponibilidade de cana e beterraba na Índia, União Europeia e Tailândia. Corrêa pondera, entretanto, que o consumo mundial gira em torno de 500 mil toneladas por dia e que déficits dessa magnitude, embora deem suporte aos preços, não representam isoladamente uma escassez expressiva.

Centro-Sul e Europa reforçam preocupação com oferta

No Centro-Sul brasileiro, a Czarnikow reduziu sua estimativa de produção de açúcar de 39,5 milhões para 38,6 milhões de toneladas. A revisão considera as chuvas intensas de junho e julho, que reduziram o teor de açúcar da cana, além de ajustes nas projeções de moagem e mix.

A produção de açúcar do Centro-Sul recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas. Parte da matéria-prima foi direcionada à fabricação de etanol, favorecida pela firmeza do petróleo. O cenário brasileiro passou, assim, a contribuir para a percepção de menor disponibilidade do produto.

Na Europa, seca e calor também afetaram as lavouras de beterraba. A produção da União Europeia e do Reino Unido é estimada em 14,98 milhões de toneladas, menor volume em 11 anos. A redução da oferta levou o açúcar branco negociado em Londres ao maior patamar em 15 meses.

Índia pode limitar avanço das cotações

O cenário, porém, não aponta para uma alta sem riscos. A Índia pode se tornar um dos principais contrapesos à valorização caso decida restringir o uso de cana para produção de etanol na safra que começa em novembro.

Na temporada atual, cerca de 3 milhões de toneladas de açúcar, aproximadamente 10% da produção indiana, foram direcionadas ao biocombustível. O governo avalia ampliar o uso de milho e arroz no etanol, o que poderia devolver parte do açúcar ao mercado. Uma decisão pode ser anunciada até o fim de setembro.

Para Corrêa, a possibilidade exige atenção porque representaria uma mudança relevante no quadro de oferta. As monções indianas também seguem 12% abaixo da média, mantendo o país no centro das expectativas para o balanço mundial.

Recuperação cria oportunidade para fixações

Para quem faz hedge, Corrêa considera o escalonamento das fixações uma alternativa diante da recuperação recente. A avaliação é que buscar o ponto máximo pode levar à perda de oportunidades, especialmente em um mercado sujeito a correções rápidas e maior volatilidade.

O câmbio ajuda nessa conta. Com o dólar na região de R$ 5,22, a combinação com os atuais níveis do açúcar melhora os valores obtidos em reais por tonelada. Segundo o consultor, há 12 meses esse patamar seria considerado bastante favorável para comercialização.

Na análise técnica apresentada no artigo, o Outubro/26 encontra resistências em 16,64, 17,11, 17,34, 17,77 e 18,18 cents/lb. Os suportes estão em 16,33, 16,22, 15,49, 15 e 14,89 cents/lb.

A possibilidade de a Índia rever o direcionamento de cana para etanol adiciona, porém, um componente de cautela às próximas semanas. Com uma decisão esperada até o fim de setembro, eventuais mudanças na política indiana poderão alterar novamente as expectativas de oferta e influenciar as estratégias de fixação para as próximas safras.

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