Importação de MAP cai 18,3% no primeiro quadrimestre
Compras de potássio avançam 16,5% enquanto produção nacional recua
As importações brasileiras de fosfato monoamônico, o MAP, recuaram 18,3% entre janeiro e abril de 2026. No mesmo período, as compras externas de cloreto de potássio avançaram 16,5%, enquanto as de ureia caíram 20,7%.
Os números fazem parte de levantamento elaborado a partir do Comex Stat, plataforma oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Os dados mostram trajetórias diferentes entre três dos principais fertilizantes importados pelo Brasil.
No mercado interno, as entregas de fertilizantes somaram 12,30 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre, aumento de 1,6% sobre igual período de 2025, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos, a ANDA. A produção brasileira de fertilizantes intermediários caiu 14,4%, para 1,92 milhão de toneladas.
MAP acumula queda e preços avançam
A redução das importações de MAP aparece também em períodos mais longos. Nos 12 meses entre agosto e julho, as compras diminuíram 33,2%. Entre agosto e dezembro de 2025, a retração chegou a 47,5%. De maio a julho deste ano, foi de 23%.
A ureia seguiu trajetória semelhante. As importações recuaram 10% em 12 meses e 20,7% no primeiro quadrimestre. Entre maio e julho, a queda se intensificou e chegou a 30,3%.
O cloreto de potássio teve comportamento diferente. Após crescer 16,5% entre janeiro e abril, as compras externas recuaram 8,8% de maio a julho. No acumulado de 12 meses, ficaram 1,2% abaixo do volume registrado no período anterior.
A menor entrada de MAP ocorreu ao mesmo tempo em que o produto ficou mais caro no mercado internacional. O valor médio FOB de importação passou de US$ 621,70 para US$ 736,61 por tonelada na comparação de 12 meses, alta de 18,5%. Em junho, atingiu US$ 844,29 por tonelada, maior valor da série de 24 meses analisada.
Fosfatados pressionam produção brasileira
A ANDA relaciona parte da retração da produção nacional às dificuldades enfrentadas pelos fosfatados. Segundo a associação, a alta contínua do enxofre, matéria-prima utilizada no processo produtivo, vem pressionando a fabricação doméstica.
A entidade faz, no entanto, uma ressalva sobre os números. No primeiro trimestre, nem toda a produção brasileira foi capturada pelas estatísticas devido a mudanças na estrutura societária de empresas e à retomada de ativos produtivos.
Os dados do comércio exterior, por si só, não mostram como a redução das compras de MAP foi absorvida pelas estratégias de nutrição das lavouras. A combinação entre preços mais altos e menor volume importado, porém, aumenta a atenção sobre o custo e a eficiência da adubação.
Uma das alternativas disponíveis para etapas específicas do manejo está na nutrição complementar, com produtos que podem ser aplicados por diferentes vias. A escolha depende das necessidades agronômicas de cada cultura e não substitui a construção da fertilidade do solo.
Fertilizantes especiais movimentam R$ 25,4 bilhões
O mercado brasileiro de biofertilizantes e fertilizantes especiais faturou R$ 25,4 bilhões em 2025, queda de 5,5% em relação ao ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Tecnologia para Produção Vegetal 2026, da Abisolo. A aplicação foliar respondeu por R$ 15,44 bilhões e concentrou a maior parcela do faturamento por via de aplicação.
Para Douglas Vaz-Tostes, especialista em fertilizantes da GIROAgro, a análise desses produtos não deve se limitar à concentração de nutrientes informada na formulação.
“Aqui está o ponto central para o produtor: a qualidade da matéria-prima e o processo de fabricação mudam completamente o desempenho do produto. Fatores como o grau de quelatização dos micronutrientes, a compatibilidade com defensivos e outros insumos na mistura de calda, a viscosidade e a estabilidade da suspensão determinam se o fertilizante vai entregar o nutriente de forma eficiente”, afirma.
Vaz-Tostes ressalta que a aplicação foliar cumpre uma função específica no manejo. “A nutrição líquida tem papel complementar, não substitutivo, à adubação de base. O foliar é especialmente eficiente para corrigir deficiências pontuais e agir rapidamente em momentos críticos do ciclo, como floração e enchimento de grãos, mas não substitui a construção da fertilidade do solo ao longo do tempo”, diz.
A trajetória dos preços internacionais passa agora a dividir atenção com o ritmo das importações no segundo semestre. No caso do MAP, a combinação entre menor volume comprado e valores mais altos pode pesar sobre as decisões de aquisição para os próximos ciclos agrícolas.
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