Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Fazenda Bom Destino mostra manejo da cana a técnicos latino-americanos

Técnicos e produtores de diferentes países da América Latina conheceram práticas adotadas na produção de cana-de-açúcar durante visita na sexta-feira (14), à Fazenda Bom Destino, em Batatais – SP. A atividade integrou a programação do Congresso da Associação de Técnicos Açucareiros da América Latina e Caribe, ATALAC, realizado na semana da Fenasucro & Agrocana 2026.

A atividade foi dividida em quatro estações, nas quais profissionais da Canaoeste e representantes da propriedade apresentaram soluções aplicadas à rotina da fazenda. O roteiro passou pelo manejo da lavoura, gestão da água, geotecnologia, questões ambientais, controle de pragas e certificação, com demonstrações diretamente no campo.

Uma das proprietárias da Fazenda Bom Destino, Lucila Meireles destacou o interesse dos visitantes em conhecer como a produção é conduzida no Brasil. Para ela, a experiência também permitiu colocar lado a lado práticas adotadas em diferentes países produtores.

“Eles estavam muito curiosos em entender o nosso manejo. Mostramos como fazemos o controle durante o ciclo da cana e algumas práticas que adotamos no dia a dia. Foi uma troca importante porque, ao mesmo tempo em que apresentamos o nosso trabalho, também aprendemos com a experiência deles”, afirmou.

Do plantio ao diagnóstico de pragas

Uma das estações levou os participantes para dentro das operações agrícolas. Foram apresentadas práticas de plantio com mudas pré-brotadas, preparo do solo, aplicação de água e herbicidas e o fracionamento da adubação, com parte dos nutrientes aplicada no sulco e complementação em operações posteriores.

A geotecnologia apareceu como parte desse processo de tomada de decisão. O uso de dados e ferramentas digitais permite acompanhar áreas agrícolas e direcionar o trabalho das equipes de campo, em conjunto com a assistência agronômica e os serviços voltados a pragas, colheita e questões ambientais.

Essa estrutura atende cerca de 2 mil produtores em mais de 90 municípios, distribuídos por 3,5 mil propriedades e aproximadamente 120 mil hectares. Desse total, 81,6% são propriedades que entregam até 6 mil toneladas de cana por safra.

Ao longo de um ano, a associação registra cerca de 24 mil ordens de serviço, o equivalente a uma média de 12 atendimentos por associado. Pelos cálculos apresentados pela Canaoeste, cada R$ 1 destinado à taxa associativa corresponde a cerca de R$ 9 em serviços prestados.

Certificação trouxe mudanças para a gestão

A escolha da Bom Destino para receber a comitiva também está relacionada à transformação pela qual a propriedade passou nos últimos anos. O processo para obtenção da certificação Bonsucro exigiu adequações de estruturas, revisão de procedimentos, organização de documentos e maior controle das atividades agrícolas.

O trabalho teve acompanhamento do Programa SEMEIA, da Canaoeste, que auxilia produtores na adoção de boas práticas e na preparação para certificações. A atuação inclui avaliação das propriedades, identificação de adequações, orientação sobre legislação ambiental e trabalhista, capacitação das equipes e acompanhamento das melhorias.

Raffaella Rossetto, presidente da STAB e do Congresso ATALAC 2026, avalia que a trajetória da Bom Destino mostra como fornecedores independentes podem avançar em tecnologia e gestão. A evolução, segundo ela, veio da busca por conhecimento, novas variedades e aperfeiçoamento do manejo, apoiada pela assistência técnica.

A experiência da propriedade faz parte de um movimento mais amplo. Na safra 2024/25, o grupo de certificação Bonsucro ligado à Canaoeste reunia 13 produtores e 67 propriedades, com 13,9 mil hectares e produção de 1,1 milhão de toneladas de cana.

Para Almir Torcato, diretor executivo da associação, a escala ajuda a ampliar o acesso dos produtores a ferramentas que seriam mais difíceis de incorporar individualmente. Segundo ele, o modelo coletivo permite reunir assistência técnica, tecnologia e serviços especializados e levar essa estrutura também às propriedades de menor porte.

Visita aproxima diferentes realidades da produção

A estrutura despertou interesse dos integrantes da ATALAC. Carlos Saenz, presidente da entidade, chamou a atenção para o trabalho de prevenção de incêndios com monitoramento por satélite, a produção de biológicos e as iniciativas relacionadas à gestão da água.

A comitiva reuniu representantes de México, Guatemala, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Venezuela, Costa Rica e Bolívia. Para Saenz, a passagem pelo Brasil permite observar soluções que podem ser avaliadas e adaptadas às condições encontradas em outros países produtores.

Gustavo Sagastume, produtor independente da Guatemala e secretário da ATALAC, destacou a oportunidade de conhecer a estrutura de uma propriedade com cerca de 600 hectares de cana. Já Yonder Araya Solórzano, presidente da Associação de Técnicos Açucareiros da Costa Rica, ATACORI, ressaltou o intercâmbio com profissionais brasileiros como uma fonte de novas referências para os produtores de seu país.

A aproximação entre essas diferentes realidades ocorre em um momento de maior pressão sobre custos e produtividade na produção de cana. Ao mesmo tempo, critérios ambientais e de rastreabilidade ganham espaço no mercado, ampliando a demanda por gestão, diagnóstico e controle das operações. A tendência é que essas ferramentas deixem de avançar de forma isolada e sejam cada vez mais incorporadas ao planejamento das propriedades.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *