IA ganha espaço na agricultura
Fórum na China debate uso da tecnologia no campo
A inteligência artificial e a cooperação entre universidades ganharam espaço nas discussões sobre o futuro da agricultura durante a Conferência Mundial de Inovação Agroalimentar, realizada de 16 a 19 de setembro, em Pequim, na China. O encontro reuniu reitores, pesquisadores e representantes de instituições e empresas para discutir tecnologias capazes de apoiar a transformação dos sistemas agroalimentares.
Com o tema Transformação Verde e Inteligente da Agricultura, a programação abordou o uso da inteligência artificial no campo e a aproximação entre educação, pesquisa e indústria. A Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, a Esalq/USP, participou do evento com professores e estudantes de pós-graduação.
A diretora da Esalq e vice-coordenadora do USP China Center, Thais Vieira, participou como palestrante e apresentou uma abordagem que relaciona a transformação verde a questões como solo, água, biodiversidade, nutrição, circularidade e emissões. No eixo tecnológico, destacou ferramentas voltadas à observação, previsão, integração de informações e apoio à tomada de decisão.
“Ressaltamos sobretudo o papel das universidades na conexão entre pesquisa, educação e sociedade e na construção de cooperação internacional”, afirmou.
Tecnologia aproxima pesquisa e tomada de decisão
As discussões colocaram a inteligência artificial dentro de um movimento mais amplo de modernização da agricultura. A proposta apresentada no fórum considera que tecnologias de análise e integração de dados podem ampliar a capacidade de observar mudanças, antecipar cenários e apoiar decisões nos sistemas produtivos.
Também participaram da abertura Chen Wei, presidente da China Agricultural University, Yin Shuangfeng, vice-chefe distrital de Pinggu, Kenneth Quinn, presidente honorário da World Food Prize Foundation, e Du Taisheng, vice-presidente da universidade chinesa. As apresentações abordaram inovação no ensino superior agrícola e o uso de tecnologias avançadas na construção de redes internacionais de cooperação.
A participação brasileira incluiu ainda estudantes de mestrado e doutorado da Esalq que estudam na China Agricultural University e Durval Dourado Neto, coordenador do Centro de Agricultura Tropical Sustentável.
Mulheres ampliam presença nos sistemas agroalimentares
Outro eixo da programação foi a participação feminina na agricultura. O Forum on Women in Agrifood reuniu representantes de diferentes países para debater políticas públicas, inovação, ação climática, acesso a recursos e presença das mulheres em posições de liderança e decisão.
O tema também foi discutido no Fórum Mundial de Inovação Agrícola para Mulheres. Thais apresentou informações sobre a participação feminina nos sistemas agroalimentares brasileiros e abordou desafios relacionados ao acesso a recursos e aos espaços de decisão. A apresentação também tratou da presença das mulheres no ambiente universitário, das estudantes às professoras.
“Os dados mostram a importância da participação das mulheres nos sistemas agroalimentares e os avanços já alcançados. O desafio é continuar ampliando os espaços de liderança e decisão já conquistados, tanto nos diferentes setores que compõem esses sistemas quanto na universidade”, afirmou Thais.
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