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Benchimol defende cultura forte para empresas crescerem

Fundador da XP associa desempenho a valores e desenvolvimento de pessoas

A cultura empresarial está entre os fatores que sustentam o crescimento de uma companhia, na avaliação de Guilherme Benchimol, fundador e presidente do conselho da XP Inc. Para o empresário, valores claros ajudam a orientar decisões à medida que uma organização ganha escala.

O economista participou do Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado nos dias 1 e 2 de outubro, em São Paulo – SP. O evento foi organizado pela DATAGRO e apresentado por XP e Corteva. Em conversa com Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, o empresário relacionou a discussão à experiência acumulada desde a criação da XP. “Um país e uma empresa fortes têm cultura forte”, afirmou.

Origem da XP moldou modelo de gestão

A trajetória empresarial de Benchimol começou após uma demissão. Em 2001, aos 24 anos, ele deixou a corretora em que trabalhava no Rio de Janeiro e se mudou para Porto Alegre, onde abriu, com um sócio, um escritório de agentes autônomos de investimentos em uma sala de 25 m².

A experiência anterior no mercado financeiro influenciou a maneira como passou a conduzir a equipe. “Quando eu fundei a XP, esse era o meu mindset (mentalidade). Como é que eu vou cuidar do time de uma forma como nunca cuidaram de mim? Como é que eu vou fazer as pessoas crescerem?”, afirmou.

O empresário diferenciou, nesse contexto, o papel de chefes e líderes dentro das organizações. “Líder é aquela pessoa que faz você acreditar em coisas impossíveis e te ajuda a chegar lá”, disse. “Não só você fez coisas extraordinárias, mas também formou novos líderes”.

Educação financeira virou estratégia

O início da XP também foi marcado pela dificuldade em conquistar clientes. Jovem e recém-chegado a Porto Alegre, Benchimol disse que não transmitia a confiança que esperava de um profissional de investimentos. A percepção sobre o que os clientes buscavam mudou a estratégia do negócio.

“Aí eu comecei a perceber que o produto não era investimentos, era educação financeira”, afirmou. A XP passou a oferecer cursos para aproximar potenciais investidores do mercado financeiro e, em 2006, criou a XP Educação.

A estratégia permitia estabelecer contato com pessoas antes da oferta de produtos financeiros e ajudava a reduzir a falta de conhecimento sobre investimentos. “Quando você é uma empresa que ajuda o seu cliente, o cliente vai te ajudar de volta”, disse.

Benchimol também defendeu maior espaço para histórias de pessoas e empresas que considera bons exemplos. Na avaliação dele, as redes sociais ampliaram a exposição de conflitos e comportamentos negativos, enquanto trajetórias positivas recebem menos atenção. “O mal é barulhento e o bem é silencioso”, afirmou.

Lei de Gérson entrou no debate sobre valores

A discussão sobre valores levou Nastari a relembrar a origem da expressão “Lei de Gérson”. O termo surgiu após uma campanha publicitária estrelada pelo ex-jogador Gérson nos anos 1970 e passou a ser associado, no imaginário brasileiro, à ideia de obter vantagem em diferentes situações.

Benchimol usou o episódio como ponto de partida para comparar características culturais que associa a outros países. Citou o empreendedorismo nos Estados Unidos, a honra no Japão e a precisão na Alemanha. No caso brasileiro, afirmou que o “jeitinho” e a busca por vantagem ainda ocupam espaço nessa percepção.

“É importante que o Brasil seja um país excepcional, um país onde as coisas não sejam feitas mais ou menos. É importante que a gente seja um país da performance”, afirmou.

Nastari também aproximou sua trajetória da experiência relatada pelo economista. O presidente da DATAGRO contou que decidiu seguir pela economia agrícola ainda na década de 1970, após assistir, durante a graduação, a uma palestra do então ministro Delfim Netto sobre o papel do agro no desenvolvimento brasileiro. Na época, lembrou, o Brasil ainda era importador de alimentos.

Depois de continuar os estudos no exterior, Nastari retornou ao Brasil sem encontrar colocação profissional na área. “Eu criei a DATAGRO por absoluta falta de opção”, afirmou. Segundo ele, a consultoria cresceu acompanhando a transformação do Brasil em uma potência do agronegócio.

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