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Investimentos reforçam nova fase do etanol de milho no Brasil

Projetos ampliam capacidade produtiva e aceleram expansão do setor

Os investimentos em etanol de milho seguem acelerando no Brasil e reforçam um novo ciclo de expansão da indústria de biocombustíveis. Os anúncios feitos nesta semana pela Atvos e pela FS, somados ao projeto da Usina Pitangueiras, em Bebedouro – SP, mostram que grandes grupos continuam apostando na diversificação da produção e na integração entre cana-de-açúcar, milho e outras fontes renováveis.

O movimento acompanha o crescimento da oferta de biocombustíveis no país e a busca por maior eficiência industrial. Além de ampliar a produção de etanol, os novos empreendimentos aumentam a geração de coprodutos, como DDG para nutrição animal e óleo de milho, fortalecendo a integração entre os setores de energia e proteína animal.

Um dos principais anúncios foi feito pela Atvos, que lançou, na quarta-feira (1º), a pedra fundamental de sua primeira planta de etanol de milho, na Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul – MS. O empreendimento marca o início da implantação do primeiro Complexo de Transição Energética da companhia, reunindo em uma mesma unidade a produção de etanol de cana, etanol de milho, bioeletricidade e biometano.

As obras estão previstas para começar no segundo semestre de 2026 e devem gerar cerca de 2 mil empregos durante a construção. Quando entrar em operação, a planta terá capacidade para processar 642 mil toneladas de milho por ano e produzir 273 mil metros cúbicos de etanol, além de 183 mil toneladas anuais de DDG e 13 mil toneladas de óleo de milho.

“O nosso diferencial não está apenas na produção de etanol de milho, mas na forma como vamos produzi-lo. Ao integrar essa operação a uma unidade consolidada de cana-de-açúcar, aproveitamos sinergias industriais, utilizamos energia renovável proveniente da biomassa e reduzimos a intensidade de carbono da nossa produção”, afirmou o CEO da Atvos, Bruno Serapião.

O avanço dessa estratégia também alcança o interior paulista. A Usina Pitangueiras, em Bebedouro – SP, anunciou recentemente o projeto para implantar uma unidade de processamento de milho e se tornar uma usina flexível, produzindo etanol tanto de cana-de-açúcar quanto do cereal. A expectativa é processar entre 400 mil e 500 mil toneladas de milho por ano, com início de operação previsto para o biênio 2028/2029.

Consolidação do setor

Outro movimento relevante foi a conclusão da parceria entre a FS e a AMAGGI, após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Pelo acordo, a AMAGGI passa a deter 40% do capital da produtora de etanol de milho, por meio de um aporte de US$ 100 milhões, além da aquisição de participações de acionistas da companhia.

A operação reúne duas empresas com forte presença em Mato Grosso e tem como objetivo ampliar sinergias na originação de milho, logística e exportação. Para a AMAGGI, o investimento reforça a estratégia de industrialização e diversificação dos negócios. Já para a FS, a parceria fortalece um plano de expansão que vem ampliando sua presença no mercado brasileiro de biocombustíveis.

Pioneira na produção de etanol exclusivamente a partir do milho no Brasil, a FS processa atualmente cerca de 6 milhões de toneladas do cereal por safra e produz aproximadamente 2,6 bilhões de litros de etanol, além de 2,2 milhões de toneladas de DDG. No ano-safra 2025/2026, a companhia registrou receita líquida de R$ 13 bilhões, lucro líquido de R$ 1,6 bilhão e Ebitda de R$ 3,5 bilhões. A empresa mantém um cronograma de expansão industrial com novas unidades em Campo Novo do Parecis – MT, prevista para o fim de 2026, e em Querência – MT, programada para julho de 2027. Com esses investimentos, a capacidade produtiva deverá alcançar 3,8 bilhões de litros de etanol por ano e cerca de 3 milhões de toneladas anuais de DDG, ampliando a oferta de biocombustíveis e coprodutos para o mercado brasileiro.

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