Embrapa defende integração de dados e retorno por rastreabilidade
Debate no Gaffff aborda geração de valor e exigências ao produtor
A integração de dados ao longo das cadeias produtivas e a remuneração do produtor pelo atendimento a exigências de rastreabilidade estão entre os desafios para ampliar a geração de valor no agronegócio brasileiro. Os temas foram discutidos por representantes da Embrapa durante o Global Agribusiness Festival (GAFFFF), realizado nos dias 1º e 2 de outubro, em São Paulo – SP.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, apontou a fragmentação das cadeias produtivas como um dos obstáculos para transformar informações disponíveis no campo e nos demais elos do setor em valor. Perdas de dados, ineficiências logísticas, falta de padronização e falhas na rastreabilidade dificultam esse processo.
Na avaliação da executiva, conectar as informações produzidas ao longo da cadeia pode melhorar a tomada de decisão e permitir que atributos ligados à sustentabilidade sejam identificados com maior precisão.
Dados podem antecipar riscos no campo
Entre as aplicações estão previsão climática, adaptação dos sistemas produtivos, financiamento verde e acompanhamento da saúde animal e vegetal. A combinação dessas informações com sistemas de alerta, modelagem, inteligência artificial e construção de cenários pode antecipar riscos e orientar decisões tanto do setor produtivo quanto do poder público.
A proposta apresentada pela presidente da Embrapa é estabelecer um fluxo contínuo e preditivo de informações entre os diferentes elos do agronegócio. Silvia definiu essa integração como uma visão que acompanha a produção “do genoma ao consumidor”.
A discussão sobre geração de valor também chegou às exigências impostas pelos mercados compradores. Gustavo Spadotti, chefe-geral da Embrapa Territorial, afirmou que o Brasil construiu uma relação de confiança no comércio internacional ao cumprir contratos e se adaptar a legislações, classificações e padrões de diferentes países. “O Brasil sempre foi um parceiro muito seguro, porque ele sempre honrou contratos, se ajustou a legislações de outros países”, afirmou.
Segundo Spadotti, o avanço da competitividade brasileira também alterou a posição do país nos mercados externos. O Brasil deixou de atuar apenas como fornecedor complementar e passou a disputar mercado diretamente com produtores locais, movimento que aumentou a atenção sobre as condições ambientais da produção nacional.
Exigências externas elevam custo para produtor
A ampliação das regras de rastreabilidade, monitoramento e adequação a legislações estrangeiras trouxe novos custos para a cadeia. De acordo com Spadotti, parcela relevante desse esforço acaba sendo assumida pelo produtor rural.
Para o pesquisador, a discussão deve avançar da simples adequação às normas para o reconhecimento econômico dos investimentos realizados no campo. A adoção de práticas e controles que superam as obrigações previstas na legislação brasileira, segundo ele, precisa ser considerada na formação de valor ao longo da cadeia.
“O atendimento a essas exigências deveria gerar um bônus ao produtor rural brasileiro, pois ele está indo muito além do atendimento à legislação brasileira”, afirmou.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: