Setor bioenergético avança em testes de inovação para reduzir custos
Programa encaminhou 31 testes tecnológicos e prevê economia de R$ 10 milhões
A busca por ganhos de produtividade e redução de custos no setor bioenergético levou ao encaminhamento de 31 soluções tecnológicas para provas de conceito e projetos-piloto por meio do Rota Inova. Em dez meses de atividades, o programa de inovação aberta aproximou 33 startups e fornecedores de tecnologia de grupos empresariais responsáveis pelo processamento de 16% da safra brasileira de cana-de-açúcar. A expectativa é que as iniciativas proporcionem uma economia acumulada de R$ 10 milhões às companhias até o fim de 2026.
Realizado pela Treesales em parceria com o Dabi Business Park, em Ribeirão Preto – SP, o programa está em sua segunda edição e reúne empresas como Atvos, Colombo, Pedra Agroindustrial, Usina Santa Adélia e Tereos. Ao todo, foram promovidas 56 rodadas de negócios para aproximar demandas operacionais das tecnologias disponíveis no mercado.
As oportunidades abrangem desde diagnóstico e saúde do solo até manutenção industrial, logística, gestão de frotas, automação de processos e descarbonização. Também estão entre as prioridades o uso de visão computacional, a gestão de estoques, a segurança operacional e a melhoria dos processos de compras.
Segundo o CEO da Treesales, Luciano Fernandes, o trabalho parte de problemas identificados pelas próprias companhias, que apresentam desafios nas áreas agrícola, industrial, automotiva e administrativa. “A trilha começa com as empresas madrinhas propondo desafios relacionados com suas principais dores ou com oportunidades de ganho de eficiência”, explica.
Seleção de tecnologias prioriza demandas das usinas
A edição de 2026 recebeu 170 inscrições de soluções tecnológicas. Desse total, 91 avançaram após a primeira avaliação técnica e 38 foram selecionadas para o Bootcamp, etapa em que as propostas são aprofundadas junto aos responsáveis pelas operações das empresas participantes. O processo inclui a definição dos problemas, a análise das alternativas disponíveis e a estruturação dos testes em ambiente produtivo.
Para a gerente de inovação e parcerias estratégicas da Atvos, Carolina Koike, a aproximação com fornecedores especializados tem facilitado a identificação de tecnologias aplicáveis às necessidades da companhia. A executiva destaca que o programa reduziu a distância entre as áreas de negócio e o ecossistema de inovação, permitindo avaliar alternativas com maior agilidade.
Na Tereos, a troca de experiências com outras empresas contribuiu para selecionar os projetos considerados prioritários. O gerente executivo de Tecnologia da Informação, Rodrigo Audi, afirmou que a companhia pretende avançar para a execução dos pilotos definidos durante a jornada. A discussão conjunta dos desafios também permitiu identificar problemas comuns às operações do setor.
Apesar dos encaminhamentos, os investimentos necessários ainda dependem da definição do escopo de cada projeto e da escolha das unidades onde as tecnologias serão testadas. Além das 31 iniciativas já direcionadas à validação, as equipes operacionais e de gestão das agroindústrias analisam outras 21 oportunidades que poderão ser desenvolvidas nas próximas safras.
Aproximação com empresas abre mercado para startups
Para os fornecedores de tecnologia, o contato direto com as agroindústrias representa uma oportunidade de compreender melhor as exigências do setor e adaptar suas soluções às condições de operação. O Technical Account Manager da Biti9, Alan Lima, relata que a empresa participou de seis rodadas de conversas com grandes companhias, o que permitiu conhecer demandas específicas e identificar possibilidades de aplicação de suas ferramentas.
O CEO e fundador da I-SENSI, Maurício Finotti, considera que a definição clara dos problemas pelas empresas é fundamental para transformar propostas tecnológicas em resultados. Na avaliação do executivo, conhecer previamente as dificuldades operacionais facilita a escolha das soluções e aumenta as possibilidades de ganhos de produtividade.
Essa orientação também é destacada pelo gestor de inovação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), em Ribeirão Preto, Edgard Neto. Para ele, a aproximação entre fornecedores e grandes empresas precisa ir além das rodadas de apresentação e resultar em negócios capazes de atender às necessidades do mercado.
Criado em 2025, o Rota Inova reúne empresas de tecnologia, universidades, instituições de fomento e companhias do setor bioenergético. A metodologia prevê o mapeamento dos desafios, a seleção técnica das propostas e a elaboração de planos de validação antes da realização dos testes nas unidades produtivas.
O balanço atualizado da edição de 2026 será apresentado em 29 de outubro, durante o Rota Inova Day, no Dabi Business Park, em Ribeirão Preto – SP. O encontro também terá a apresentação das novidades previstas para 2027 e debates sobre biometano, eficiência operacional, mercado, uso de dados e inteligência artificial.
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