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Poder de compra de fertilizantes melhora 7% em setembro

Alta das commodities agrícolas favorece relação de troca, apesar do avanço da ureia

O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) recuou 7% em setembro de 2026, na comparação com agosto, e encerrou o mês em 1,17, segundo levantamento da Mosaic. O resultado indica uma melhora nas condições de aquisição de insumos pelos produtores rurais, impulsionada principalmente pela valorização das commodities agrícolas, que registraram alta média próxima de 9% no período.

Entre os produtos analisados, a cana-de-açúcar apresentou a maior valorização, de 10%, seguida pela soja, com avanço de 9%. O milho registrou aumento de 5%, enquanto o algodão teve alta de 1%. O desempenho foi influenciado pela demanda chinesa, pelas incertezas sobre a safra dos Estados Unidos e pelo fortalecimento das cotações do petróleo, além das preocupações climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño.

No mercado de fertilizantes, os preços médios apresentaram relativa estabilidade, embora o comportamento tenha variado entre os nutrientes. Os produtos fosfatados e potássicos registraram pequenas reduções, enquanto a ureia ficou 12% mais cara em setembro. A valorização do nitrogenado refletiu um cenário de maior volatilidade, associado aos riscos de abastecimento e às condições logísticas internacionais.

Geopolítica e clima mantêm mercado em alerta

Apesar da melhora na relação de troca, o mercado de fertilizantes continua exposto a fatores que podem pressionar os custos de produção nos próximos meses. As tensões no Oriente Médio permanecem entre os principais pontos de atenção, especialmente pelos possíveis efeitos sobre os preços internacionais de energia e sobre o fornecimento de fertilizantes nitrogenados.

As condições climáticas também devem influenciar as decisões dos produtores. A possibilidade de impactos do El Niño sobre o desenvolvimento das lavouras brasileiras acrescenta incertezas ao planejamento agrícola, em um momento em que o setor acompanha tanto o comportamento das commodities quanto a evolução dos custos dos insumos.

Com a aproximação da próxima safrinha de milho, o abastecimento de nitrogênio ganha importância. A definição antecipada dos volumes necessários e do período de aplicação é considerada relevante para o manejo da cultura e para o cumprimento da janela de plantio, especialmente diante das oscilações observadas no mercado de ureia.

Indicador acompanha relação entre insumos e produção agrícola

Divulgado mensalmente pela Mosaic, o IPCF mede a relação entre os preços dos fertilizantes e os das principais commodities agrícolas brasileiras, tendo 2017 como ano-base. Quanto menor o indicador, mais favorável é a relação de troca para o produtor, uma vez que representa melhores condições relativas para a aquisição dos insumos.

O cálculo considera os preços de fertilizantes como MAP, SSP, ureia e cloreto de potássio, ponderados pela participação de cada produto no consumo nacional. Do lado das commodities, são analisados soja, milho, açúcar, etanol e algodão, também com ponderação relacionada ao uso de fertilizantes nas respectivas culturas.

Os preços dos fertilizantes nos portos brasileiros têm como referência os dados da consultoria internacional CRU. Já as cotações agrícolas são calculadas a partir de médias do mercado brasileiro, em dólar, com base em informações da Agência Estado e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A metodologia também incorpora a variação cambial, com ponderação de 70% para os custos dos fertilizantes e de 85% para as receitas das commodities agrícolas. Os dados divulgados pela Mosaic são referentes a setembro de 2026.

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