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Brasil reúne 78% das agtechs da América Latina

País lidera ecossistema regional, mas gestão de cooperativas ainda enfrenta lacunas

O Brasil concentra 78% das startups voltadas ao agronegócio mapeadas na América Latina e no Caribe, segundo a primeira edição do Radar AgTech LAC. Das 2.656 empresas identificadas em 23 países, 2.075 estão no mercado brasileiro.

O levantamento, coordenado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), mostra que as soluções abrangem áreas como agricultura de precisão, inteligência artificial, automação, monitoramento remoto e rastreabilidade.

Os dados colocam o Brasil como principal polo do ecossistema regional de inovação agrícola. Apesar do avanço das tecnologias ligadas à produção, a digitalização da gestão das cooperativas ainda encontra limitações, principalmente diante das particularidades jurídicas, contábeis e tributárias do modelo cooperativista.

Cooperativas ampliam demanda por sistemas específicos

As cooperativas agropecuárias atuam em diferentes etapas da cadeia, desde a originação junto ao produtor rural até a comercialização no mercado externo. Parte dessas operações, porém, utiliza sistemas originalmente desenvolvidos para empresas tradicionais, que nem sempre contemplam as características próprias do cooperativismo.

“Apesar do avanço das tecnologias voltadas à produção agrícola, a gestão das cooperativas ainda dispõe de poucas soluções desenvolvidas especificamente para as particularidades do modelo cooperativista”, afirma Luis Carlos Crema, CEO da SOLTERRA Soluções Inteligentes.

A questão ganha relevância em São Paulo, onde o agronegócio tem peso expressivo na economia. Em 2024, o setor paulista respondeu por 24% do Produto Interno Bruto do agronegócio brasileiro e representou 18,9% da economia do Estado, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

São Paulo também ocupa desde 2024 a posição de principal exportador agrícola do país, com participação de cadeias como o complexo sucroalcooleiro, carnes, soja e sucos.

Reforma tributária aumenta pressão sobre a gestão

A necessidade de integração dos sistemas também deverá ganhar importância com a implementação da reforma tributária. A partir de 2027, PIS e Cofins serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), alterando a dinâmica tributária para produtores rurais e cooperativas.

Pelas novas regras, produtores com faturamento anual superior a R$ 3,6 milhões por CPF serão contribuintes obrigatórios. Com isso, a geração e o aproveitamento de créditos tributários deverão passar a ter maior peso nas relações comerciais com cooperativas, cerealistas e agroindústrias.

O ano de 2026 funciona como período de adaptação às novas regras, permitindo que empresas e cooperativas ajustem processos e sistemas antes da entrada efetiva do novo modelo. A integração entre as informações geradas nas propriedades e aquelas utilizadas pelas cooperativas tende a ser uma das frentes desse processo.

“O produtor rural passará a integrar um novo modelo tributário sem experiência anterior nesse ambiente. Se não houver integração entre a gestão da fazenda e da cooperativa, muitos só perceberão o impacto financeiro depois que ele ocorrer. Quanto antes essa organização for feita, menor tende a ser o efeito no caixa da safra”, afirma Crema.

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