Produtividade orienta decisões do produtor de cana em um cenário de margens pressionadas
Eficiência agronômica, apoio técnico e planejamento ganham peso na preservação da renda e da competitividade no campo
A produtividade assumiu papel central na estratégia econômica do produtor de cana-de-açúcar. Em um ambiente marcado por custos elevados, maior exigência regulatória e volatilidade de preços, produzir mais por hectare, com controle técnico e previsibilidade, tornou-se determinante para a sustentabilidade da atividade.
O produtor opera hoje sob forte pressão. Os custos de produção seguem elevados, influenciados por insumos, mecanização, mão de obra e serviços, enquanto a receita permanece sujeita a fatores externos, como o comportamento dos mercados de açúcar e etanol, o ATR e as condições climáticas. Nesse contexto, a produtividade é o principal instrumento de gestão disponível dentro da porteira.
Embora a canavicultura tenha avançado em tecnologia, mecanização e genética, os resultados ainda são desiguais entre propriedades. Diferenças de manejo, planejamento e acesso à orientação técnica explicam boa parte da distância entre produtores mais eficientes e aqueles com margens cada vez mais estreitas.
A eficiência produtiva começa nas decisões agronômicas. Planejamento do plantio, escolha varietal adequada ao ambiente de produção, correção e conservação do solo, manejo nutricional e fitossanitário e definição do momento correto de renovação do canavial impactam diretamente o custo por tonelada produzida.
Em um cenário de margens comprimidas, ganhos consistentes de produtividade reduzem o custo unitário, diluem despesas fixas e aumentam a capacidade do produtor de enfrentar oscilações de mercado e adversidades climáticas. A gestão do canavial, portanto, deixou de ser apenas uma questão técnica e passou a ser uma decisão econômica permanente.
Além disso, a eficiência produtiva contribui para o uso mais racional dos recursos naturais, reforçando a sustentabilidade ambiental da atividade sem ampliar a área cultivada.
Nesse processo, a atuação de entidades técnicas e representativas é decisiva. A Canaoeste presta serviços ao produtor com foco em orientação agronômica, acompanhamento técnico e acesso à informação qualificada, apoiando decisões que refletem diretamente na produtividade e na rentabilidade.
A associação atua como um ponto de apoio para transformar conhecimento técnico em resultado prático no campo. Programas de capacitação, troca de experiências entre produtores e organização coletiva contribuem para reduzir riscos e ampliar a eficiência das operações agrícolas.
A produtividade não é construída de forma isolada. Ela depende de planejamento, informação confiável, assistência técnica contínua e coordenação setorial, fatores que fortalecem a posição do produtor na cadeia sucroenergética.
A cana-de-açúcar seguirá como cultura estratégica para o Brasil, mas a permanência do produtor na atividade estará cada vez mais associada à capacidade de gestão e eficiência produtiva. Produzir bem deixou de ser diferencial e passou a ser condição básica para preservar renda e competitividade.
Nesse cenário, produtividade é mais do que um indicador agronômico. É uma estratégia de permanência no campo, construída com planejamento, apoio técnico e decisões consistentes ao longo do ciclo agrícola.
Almir Torcato, diretor executivo da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo
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