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Abertura de mercados impulsiona perspectivas do agro brasileiro

Ministro destaca acordo Mercosul-UE, exportações e desafios do Plano Safra

O avanço da abertura de mercados e a ampliação das relações comerciais do Brasil estiveram no centro dos debates do Veja Fórum Agro 2026, realizado recentemente em São Paulo. Durante o evento, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o agronegócio brasileiro mantém papel estratégico na economia nacional e apontou o acordo entre Mercosul e União Europeia, a expansão das exportações e o crédito rural como pilares para sustentar o crescimento do setor nos próximos anos.

Segundo o ministro, a agropecuária responde por 49,5% da pauta de exportações brasileiras e gera cerca de 32 milhões de empregos. Ele destacou ainda que o setor registrou crescimento de 11,7% no Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, reforçando sua relevância para a economia do país.

Outro ponto ressaltado foi o reconhecimento do Brasil como território livre de febre aftosa sem vacinação por importantes parceiros comerciais. Para André de Paula, a conquista fortalece a credibilidade do sistema de defesa agropecuária e amplia as oportunidades para os produtos brasileiros no mercado internacional. O ministro também citou as negociações com a China para ampliar o fornecimento de fertilizantes, medida que contribuiu para reduzir a pressão sobre os custos de produção.

Abertura de mercados ganha força

Desde o início da atual gestão federal, o Brasil contabiliza 641 novas aberturas de mercado para produtos agropecuários. A meta, segundo André de Paula, é alcançar aproximadamente 700 até o final do mandato. O ministro também destacou a ampliação da rede de adidos agrícolas no exterior, que passou de 29 para 40 postos estratégicos, com o objetivo de fortalecer a presença do país em mercados considerados prioritários.

No mesmo painel, o secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Cleber Soares, afirmou que China e União Europeia possuem perfis complementares para as exportações brasileiras. Enquanto o mercado chinês concentra grandes volumes de commodities agrícolas, os países europeus demandam produtos com maior valor agregado e elevados padrões de qualidade e sustentabilidade.

O secretário também destacou os avanços da agenda ambiental no campo. Pelo Plano ABC+, a meta é incorporar 52 milhões de hectares em sistemas produtivos sustentáveis até 2030, com potencial estimado de mitigação de 1,1 bilhão de toneladas de CO₂ equivalente por meio de práticas como recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta e fixação biológica de nitrogênio.

Mercosul e União Europeia

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi apontado como uma das principais oportunidades para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro. Após mais de 25 anos de negociações, o entendimento estabeleceu uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões.

André de Paula afirmou que aproximadamente cinco mil produtos brasileiros serão impactados pelo acordo, sendo a maior parte ligada ao agronegócio. Já Cleber Soares ressaltou que alguns segmentos começam a colher resultados, com redução ou eliminação de tarifas para produtos como frutas, café, proteínas animais, arroz, suco de laranja, cacau e cafés especiais.

Segundo o secretário, além de favorecer as exportações, o acordo também poderá facilitar a importação de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias, contribuindo para elevar a produtividade e a competitividade da agropecuária nacional.

Crédito rural e próximos desafios

O novo Plano Safra também integrou as discussões do fórum. Nos três primeiros ciclos do atual governo, foram destinados aproximadamente R$ 1,576 trilhão ao financiamento da agropecuária, o maior volume já registrado pela política de crédito rural no país. A expectativa do Ministério da Agricultura é ampliar os recursos disponíveis e aperfeiçoar os instrumentos de financiamento no próximo ciclo.

Durante o debate, André de Paula destacou que o aumento dos custos financeiros, o endividamento de parte dos produtores e a necessidade de fortalecer o seguro rural e a gestão de riscos climáticos estão entre os principais desafios para os próximos anos. Acrescentou ainda que a volatilidade dos mercados internacionais e as tensões geopolíticas exigem políticas públicas mais robustas para garantir previsibilidade e competitividade ao agronegócio brasileiro.

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