Açúcar recua em Nova York e outubro fecha a 17,40 cents/lb
Realização derruba contratos, mas menor produção sustenta oferta ajustada
O açúcar encerrou a semana em queda na Bolsa de Nova York, após a valorização recente abrir espaço para realização de lucros. O contrato outubro fechou a 17,40 centavos de dólar por libra-peso, com perda de 75 pontos na semana, enquanto março recuou 87 pontos, para 18,28 centavos.
Segundo Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, as perdas equivalem a pouco mais de US$ 16,50 por tonelada no outubro e US$ 19 por tonelada no março, que passa a ser a principal referência do mercado.
A correção também atingiu os contratos ligados à safra 2027/28 do Centro-Sul, que perderam entre 49 e 85 pontos, aproximadamente US$ 11 a US$ 19 por tonelada. Nos vencimentos a partir de maio de 2028, a retração média ficou próxima de US$ 4 por tonelada.
Apesar da queda, a oferta segue como ponto de atenção. O Itaú BBA reduziu em 400 mil toneladas a estimativa para a produção de açúcar do Centro-Sul, para 38,9 milhões de toneladas, diante do excesso de chuva e do ATR mais fraco. Com a revisão, o déficit global projetado para 2026/27 chegou a 2,1 milhões de toneladas.
Demanda física aumenta pressão
A Barchart também aponta que a queda das cotações ocorreu em meio a preocupações com a demanda. O mercado havia alcançado recentemente a maior cotação em 17 meses em Nova York, sustentado pela perspectiva de menor disponibilidade global.
A mudança de direção ganhou força com o vencimento do contrato outubro em Londres. Foram entregues 499.350 toneladas de açúcar, alta de 91% em relação ao ano anterior e um dos maiores volumes já registrados para um contrato de outubro. O resultado foi interpretado como sinal de demanda física mais fraca.
Outro ponto de atenção é o posicionamento dos fundos. Segundo a Barchart, o elevado volume de posições compradas aumenta o risco de novas liquidações caso os preços continuem em queda.
Mercado global caminha para déficit
Do lado da oferta, a Barchart destaca a mudança esperada no balanço mundial. A Organização Internacional do Açúcar projeta déficit de 200 mil toneladas em 2026/27, após superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
A StoneX trabalha com déficit de 1,7 milhão de toneladas para a próxima temporada. Na Tailândia, a produção pode cair 17%, para 10 milhões de toneladas, segundo projeção da Thai Sugar Millers Corp.
A Índia também adotou medidas para ampliar a disponibilidade interna. O país autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem imposto até o fim de outubro, movimento relevante para um mercado que tradicionalmente atua como exportador. No Brasil, o etanol permanece entre as variáveis acompanhadas pelas usinas. Segundo a Archer Consulting, o hidratado avançou 2,28% na semana e encerrou o período com paridade de 61,9% em relação à gasolina.
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