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Etanol de milho amplia oferta de DDGS no Brasil até 2031

Produção pode chegar a 8 milhões de toneladas, segundo Rabobank

A expansão do etanol de milho deve elevar a produção de DDGS no Brasil para 8 milhões de toneladas até 2031, segundo estudo do Rabobank. O avanço ocorre em meio a uma transformação na composição das rações, impulsionada também pelo maior processamento de soja e pelo crescimento do sorgo como alternativa ao milho.

Nos últimos cinco anos, a oferta de DDGS cresceu, em média, 21% ao ano no país, acompanhando a expansão das usinas de etanol de milho. O coproduto reúne energia, proteína, fibras e outros nutrientes e pode substituir parcialmente milho e farelo de soja, dependendo da espécie, da formulação e das condições de mercado.

O movimento ocorre enquanto o milho ganha espaço na matriz de biocombustíveis. Na avaliação do Rabobank, o crescimento do etanol deve manter os preços do cereal sustentados e reduzir a parcela destinada diretamente à alimentação animal. Parte desse efeito, porém, tende a ser compensada pelo próprio DDGS gerado durante o processamento.

Sorgo também ganha espaço nas rações

Outra alternativa em expansão é o sorgo. A produção brasileira chegou a 6 milhões de toneladas na safra 2025/26 e, pelas projeções do Rabobank, pode alcançar 10 milhões de toneladas em 2031. A cultura tem avançado principalmente em áreas onde as condições de chuva dificultam o milho safrinha ou quando atrasos no plantio e na colheita da soja reduzem a janela disponível para o cereal.

Além de substituir parcialmente o milho, o sorgo tende a aumentar sua participação nas formulações de ração. O estudo ressalta, no entanto, que seu uso depende das exigências nutricionais, da qualidade do grão, dos métodos de processamento e das condições econômicas, funcionando como alternativa para dar maior flexibilidade às dietas.

O farelo de soja completa esse processo de diversificação. A expectativa é de que a expansão do biodiesel estimule o esmagamento da oleaginosa no país. A legislação prevê que a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel alcance 20% até 2030, embora o banco considere a possibilidade de atrasos na implementação desse cronograma.

Para atender a uma mistura de 20%, o processamento de soja poderia chegar a aproximadamente 69 milhões de toneladas. Com isso, a produção de farelo aumentaria cerca de 5 milhões de toneladas em relação ao volume estimado para 2025. Como a oferta deve avançar mais rapidamente que a demanda, o Rabobank prevê preços competitivos para o consumo pela cadeia de proteína animal.

Custo da alimentação pesa na produção animal

A mudança na cesta de ingredientes ganha relevância pelo peso da alimentação nos custos da pecuária e da produção de aves e suínos. Nos confinamentos bovinos, a alimentação representa entre 70% e 80% dos custos operacionais. Em Mato Grosso, o custo médio atingiu cerca de R$ 13,62 por cabeça ao dia em junho de 2026.

Na suinocultura de Santa Catarina, a alimentação respondeu por aproximadamente 72% dos custos operacionais no primeiro semestre de 2026. Na produção de frangos do Paraná, a participação ficou em 63%. Nesse cenário, ingredientes com preços competitivos podem reduzir a exposição dos produtores às oscilações individuais do milho e do farelo de soja.

As projeções de oferta e demanda do Rabobank indicam que a disponibilidade de ingredientes deve ser suficiente para acompanhar a expansão das proteínas animais brasileiras até 2031. Os cálculos consideram premissas conservadoras, com taxas menores de inclusão de DDGS e sorgo e adoção desses produtos por apenas parte da indústria de rações.

Nos últimos dez anos, a produção brasileira de carne bovina cresceu, em média, 3,3% ao ano, enquanto a de suínos avançou 4,6% e a de frango, 2,1%. O estudo associa esse desempenho ao aumento da produtividade, à demanda doméstica e ao avanço das exportações.

O estudo foi publicado em 9 de setembro pela área RaboResearch, do Rabobank, e é assinado por Marcela Marini, analista sênior de Grãos e Oleaginosas, e Wagner Yanaguizawa, analista de Proteína Animal.

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