Alta do petróleo sustenta açúcar e reforça competitividade do etanol
Relatório semanal da XP aponta efeitos da guerra nas commodities
A escalada das tensões no Oriente Médio começa a impactar diretamente o mercado de açúcar e etanol, ao elevar os preços do petróleo e aumentar a volatilidade nas commodities energéticas. Segundo o relatório semanal Research Agro, da XP, a curva futura do açúcar iniciou a semana com alta superior a 2,5 por cento, movimento associado ao avanço das cotações do petróleo e às incertezas logísticas na região.
O documento aponta que cerca de 10% das importações globais de açúcar bruto passam pelo estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional. A região também concentra aproximadamente 5% das exportações mundiais de açúcar refinado, o que mantém o mercado atento aos riscos de interrupção no fluxo comercial.
No momento da análise, os contratos do açúcar bruto negociados na bolsa internacional estavam próximos de 14,1 centavos de dólar por libra peso, enquanto o petróleo se aproximava de 92,7 dólares por barril, patamar que reforça a competitividade dos biocombustíveis e tende a sustentar os preços do etanol.
No Brasil, o etanol hidratado aparecia ao redor de 3.016 reais por metro cúbico, segundo dados citados no relatório.
Petróleo e gasolina influenciam mercado de biocombustíveis
De acordo com a XP, a valorização do petróleo tem efeitos diretos sobre a dinâmica do mercado sucroenergético. O relatório destaca que a gasolina vendida pela Petrobras permanece abaixo da paridade de importação, o que alimenta expectativas de reajustes de preços nos combustíveis.
Caso esse movimento ocorra, o etanol tende a ganhar competitividade no mercado doméstico, ampliando o suporte aos preços do biocombustível e influenciando as decisões de produção das usinas.
O cenário reforça uma tendência já observada nas projeções para a próxima safra brasileira. Segundo a análise, a rentabilidade do etanol e o baixo nível de comercialização do açúcar indicam possibilidade de um mix mais alcooleiro no Centro Sul na safra 2026/27, mesmo diante da expectativa de produção elevada de cana.
Logística no Golfo é fator de atenção para o açúcar
Apesar da escalada das tensões, a operação de grandes refinarias de açúcar na região segue normal. A Al Khaleej Sugar, localizada em Dubai e considerada a maior refinaria portuária de açúcar do mundo, informou que mantém suas atividades sem interrupção.
A empresa depende significativamente do estreito de Ormuz para importar açúcar bruto e exportar produto refinado. Segundo a companhia, há flexibilidade para utilizar portos alternativos caso necessário e estoques suficientes para aproximadamente dois anos de operação, mesmo diante de eventuais restrições logísticas.
Ainda assim, o relatório da XP aponta que o risco geopolítico continua sendo a variável dominante para o comportamento das commodities no curto prazo.
Energia em alta pressiona outras commodities
O impacto da guerra também se estende a outras cadeias agrícolas. A valorização das commodities energéticas tem sustentado os preços de matérias primas ligadas aos biocombustíveis.
Na semana passada, o óleo de soja subiu 7,6% e o óleo de palma avançou 8%, enquanto a margem de esmagamento da soja em Chicago registrou aumento de 6,7%.
Para os analistas da XP, períodos prolongados de energia cara tendem a transmitir pressão inflacionária para outras commodities agrícolas, especialmente por meio da demanda por biocombustíveis e pelo aumento do custo de insumos como fertilizantes.
No caso das proteínas animais, o relatório aponta riscos de demanda no Oriente Médio diante de possíveis irregularidades no abastecimento da região, embora as exportações brasileiras permaneçam fortes em 2026 até o momento.
Segundo o Research Agro da XP, o desdobramento do conflito e o comportamento do petróleo continuarão sendo os principais fatores a orientar os preços das commodities nas próximas semanas.
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