Busca por novos mercados redefine estratégias do agronegócio brasileiro
Pesquisa da PwC aponta inovação e tecnologia como resposta à inflação e aos riscos climáticos
A busca por eficiência, diversificação de receitas e adaptação a um ambiente mais incerto tem levado empresas do agronegócio a rever seus modelos de atuação. Metade dos CEOs do setor afirma que suas companhias passaram a competir em novos mercados nos últimos cinco anos, movimento alinhado à média nacional de todos os segmentos da economia.
Os dados fazem parte da 29ª edição da CEO Survey da PwC, que ouviu mais de 4,4 mil líderes empresariais em 95 países, incluindo o Brasil. O levantamento indica que a convergência entre setores avança no agronegócio, impulsionada pela interação entre tecnologia, fatores climáticos e mudanças no cenário geopolítico.
A inovação ocupa posição central nesse processo. Segundo a pesquisa, 63% dos CEOs do agronegócio no Brasil consideram a inovação um componente essencial da estratégia de negócios, percentual superior à média global e levemente acima da média brasileira considerando todos os setores. O dado reflete a busca por novos modelos produtivos, maior eficiência operacional e diferenciação competitiva.
O estudo também aponta avanço na colaboração com parceiros externos. Cerca de 38% das empresas do agronegócio mantêm parcerias com fornecedores, startups e universidades para acelerar a inovação, patamar acima da média global. Além disso, 35% testam rapidamente novas ideias com clientes ou usuários finais, indicando uma abordagem mais prática e orientada a resultados.
Apesar do foco em reinvenção, a agenda dos líderes segue fortemente concentrada no curto prazo. A pesquisa mostra que 54% do tempo dos CEOs do agronegócio brasileiro é dedicado a temas com horizonte inferior a um ano, percentual acima da média global do setor. Apenas 15% da agenda é voltada a decisões de longo prazo, relacionadas a cinco anos ou mais.
Inteligência Artificial avança, mas impactos ainda são graduais
A Inteligência Artificial começa a se consolidar como vetor de crescimento para parte das empresas do agronegócio. De acordo com o levantamento, 33% dos CEOs do setor no Brasil reportaram aumento de receita atribuído ao uso da tecnologia, enquanto a maioria ainda percebe pouca ou nenhuma alteração.
Em relação aos custos, os efeitos são mais equilibrados. Um terço das empresas observou redução associada a ganhos de eficiência e automação, enquanto 48% relataram estabilidade. O cenário indica que a adoção da IA ainda ocorre de forma gradual, com benefícios sendo incorporados progressivamente às operações.
A pesquisa também aponta impactos sobre a força de trabalho. Cerca de 60% dos CEOs avaliam que suas empresas precisarão de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos, enquanto o impacto esperado sobre cargos de nível médio e sênior é significativamente menor.
Inflação lidera preocupações e reduz otimismo dos executivos
O levantamento revela um recuo no otimismo dos líderes do agronegócio em relação ao desempenho econômico. Para os próximos 12 meses, 50% dos CEOs projetam aceleração da economia global, abaixo do percentual registrado na edição anterior da pesquisa. No âmbito doméstico, 58% esperam aceleração da economia brasileira, também inferior ao nível observado no ano passado.
A confiança no crescimento da receita das próprias empresas no curto prazo caiu de 48% para 38%, sinalizando maior cautela diante de um ambiente mais volátil.
No mapa de riscos, a inflação aparece como a principal preocupação dos CEOs do agronegócio no Brasil, citada por 35% dos executivos, percentual superior à média brasileira de todos os setores. As mudanças climáticas e a instabilidade macroeconômica também figuram entre os riscos mais relevantes, enquanto ameaças cibernéticas e tecnológicas ainda têm peso relativamente menor na percepção dos líderes, embora com tendência de crescimento no médio e longo prazo.
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