Exportações do agro avançam em abril com pressão nos fertilizantes
Levantamento do Itaú BBA destaca açúcar, etanol e alta nos insumos
As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 16,6 bilhões em abril de 2026, alta de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e o segundo melhor resultado da série histórica para o período, atrás apenas de maio de 2023. Os dados constam no Radar Agro, material produzido pelo time da Consultoria Agro do Itaú BBA, com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O levantamento mostra que o desempenho foi sustentado principalmente pelo avanço das exportações do complexo soja e das proteínas animais. No entanto, no segmento sucroenergético, o cenário foi misto, com queda nos preços do açúcar e retração nos embarques de etanol.
Segundo o relatório, as exportações de etanol somaram 87 mil m³ em abril, recuo de 50% frente ao mesmo mês de 2025. Apesar da redução no volume, o preço médio avançou 8% na comparação anual, alcançando US$ 624 por m³.
Já os embarques de açúcar VHP totalizaram 958 mil toneladas em abril. O volume cresceu 1,2% na comparação anual, mas os preços recuaram 23%, para US$ 359 por tonelada. No açúcar refinado, os embarques atingiram 225 mil toneladas, queda de 10%, enquanto o preço médio caiu 19%, para US$ 422 por tonelada.
No acumulado de janeiro a abril, o cenário para o etanol segue pressionado. As exportações do biocombustível totalizaram 265 mil m³, queda de 50% frente ao mesmo período de 2025. Em contrapartida, o preço médio avançou 8%, chegando a US$ 623,6 por m³.
No açúcar bruto, os embarques acumulados alcançaram 6,18 milhões de toneladas no primeiro quadrimestre, praticamente estáveis frente ao mesmo período do ano passado. Porém, o preço médio caiu 23%, para US$ 359,1 por tonelada. Já o açúcar refinado registrou retração de 10% no volume exportado e queda de 22% nos preços médios.
Fertilizantes
O Radar Agro também apontou desaceleração nas importações de fertilizantes em abril, movimento acompanhado de forte alta nos preços internacionais. O volume total importado caiu 11% na comparação anual, somando 3,2 milhões de toneladas. A retração foi puxada principalmente pelos fertilizantes fosfatados e nitrogenados.
De acordo com o Itaú BBA, o cenário foi influenciado pelos impactos da guerra no Oriente Médio, que elevou os preços globais e trouxe dificuldades logísticas para a cadeia de abastecimento.
As importações de ureia recuaram cerca de 200 mil toneladas em abril, enquanto as compras de sulfato de amônio avançaram em volume semelhante, indicando substituição entre fontes nitrogenadas. Nos fosfatados, as importações de MAP caíram cerca de 200 mil toneladas e as de superfosfato simples recuaram aproximadamente 300 mil toneladas.
Os preços seguem em trajetória de alta. O MAP foi importado a um valor médio de US$ 733 por tonelada FOB, avanço de 16% frente a abril de 2025. Já a ureia registrou preço médio de US$ 574 por tonelada FOB, alta de 55% na mesma comparação.
O relatório pondera, porém, que parte relevante dos embarques ainda reflete contratos fechados anteriormente e cargas já posicionadas em line-up, o que limita a leitura imediata das condições mais recentes do mercado internacional.
Outros destaques
Entre os demais produtos acompanhados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, a soja em grão movimentou US$ 6,9 bilhões em abril, com embarques de 16,7 milhões de toneladas e preço médio de US$ 416 por tonelada, alta de 8% frente ao mesmo período de 2025.
Na carne bovina in natura, os embarques chegaram a 252 mil toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. O preço médio avançou 24%, atingindo US$ 6.241 por tonelada, impulsionado principalmente pela demanda chinesa.
O algodão em pluma também teve forte avanço nos embarques, com crescimento de 55% em abril, enquanto o milho registrou aumento de 166% no volume exportado frente ao mesmo mês de 2025.
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