Produtores de cana reforçam certificação Bonsucro
Canaoeste alinha grupo para auditorias e recertificação para a safra 2026
A Canaoeste realizou nesta terça-feira (3), em sua sede, em Sertãozinho – SP, reunião com produtores associados certificados pela Bonsucro para apresentar atualizações do padrão internacional de sustentabilidade, alinhar procedimentos para as próximas auditorias e compartilhar experiências bem-sucedidas dentro do grupo. O encontro marcou a abertura de um novo ciclo de monitoramento, com foco na organização das informações, no fortalecimento das auditorias internas e na preparação para a recertificação.
Durante a reunião, a equipe técnica detalhou ajustes operacionais relacionados à consolidação de dados agrícolas, controle de insumos, registros trabalhistas e indicadores ambientais. Também foram reforçadas orientações sobre o uso da calculadora Bonsucro, ferramenta que mede o cumprimento de critérios essenciais e não essenciais, além da importância de manter evidências documentais aptas à verificação em auditoria.
A linha do tempo da certificação apresentada durante o encontro mostrou a consolidação do grupo ao longo dos ciclos. Na certificação inicial, referente à safra 2022/23 – ano 2023, eram 12 produtores e 26 propriedades, com 1,1 milhão de toneladas de cana-de-açúcar certificadas em 14,1 mil hectares. No monitoramento mais recente, relativo à safra 2024/25 – ano 2025, o grupo reúne 13 produtores e 67 propriedades, abrangendo 13,9 mil hectares e 1,1 milhão de toneladas certificadas.
Gestão e exigências do padrão
Fábio de Camargo Soldera, gestor de Sustentabilidade da Canaoeste, destacou que o objetivo do encontro é manter o grupo alinhado às exigências do padrão. “No começo de cada ano realizamos essa reciclagem para apresentar o novo padrão, compartilhar boas práticas e corrigir pontos identificados nas auditorias anteriores. A ideia é chegar à auditoria externa com tudo organizado e validado”, ressaltou.
Segundo ele, a certificação exige controle permanente das operações agrícolas e da documentação. “O produtor precisa ter relatórios, registros e evidências de cada operação. Isso traz segurança jurídica e reduz riscos ambientais e trabalhistas”, acrescentou.
Gabriel Roque Perticarrari, analista de Sustentabilidade da associação, ressaltou que a certificação em grupo pressupõe responsabilidade compartilhada. “Quando trabalhamos em grupo, a conduta de cada produtor impacta todos. Por isso reforçamos a organização dos dados e a interpretação correta dos indicadores do padrão”, pontuou.
Ele explicou que o programa SEMEIA, iniciativa da Canaoeste voltada à Sustentabilidade Econômica, Meio Ambiente, Eficiência e Inteligência Agronômica, oferece suporte técnico aos participantes. O programa reúne profissionais das áreas ambiental, jurídica e agronômica, que orientam os produtores na preparação para auditorias, no cumprimento de requisitos legais e na adoção de boas práticas. “Nosso papel é fazer a ponte entre as exigências da norma e a realidade do produtor, garantindo que todos estejam preparados”, observou.
Produtores relatam avanços na gestão
Entre os produtores, a percepção é de que a certificação elevou o nível de gestão das propriedades. Lucila Meirelles, da Fazenda Bom Destino, em Batatais – SP, afirmou que o processo trouxe maior controle sobre normas ambientais e trabalhistas. “A certificação garante que estamos dentro das regras legais e de sustentabilidade. Para propriedades menores, isso faz diferença”, disse.
Lia Junqueira Netto Teixeira, da Fazenda Pavão, em Barretos – SP, destacou avanços na gestão da propriedade. “Tivemos desafios, mas a certificação trouxe uma organização muito mais profissional para a fazenda”, afirmou.
Simone Gallão, da Fazenda São José, em Guará – SP, relatou mudanças no planejamento produtivo. “Precisamos reorganizar a propriedade para atender às normas. Isso induz a produzir com mais sustentabilidade e respeito aos funcionários”, comentou.
Roney Sakomura, administrador do Grupo Santa Rita, com propriedades em Taquaral – SP, também apontou avanços administrativos. “Os desafios são estruturais e documentais. Hoje temos uma gestão mais organizada e alinhada às exigências ambientais e sociais”, observou.
Juliano Gerlach, consultor da Agrogerlach Consulting, observou que um dos principais desafios para os produtores está na correta interpretação dos indicadores técnicos da norma, especialmente no contexto das auditorias externas e da recertificação.
“Um mesmo requisito pode gerar entendimentos diferentes entre produtor e auditor. Se a interpretação não estiver bem alinhada, pode surgir uma não conformidade mesmo quando a prática está sendo realizada. O desafio é traduzir o padrão para a realidade operacional da propriedade e garantir que a evidência apresentada reflita exatamente o que a norma exige”, explicou.
Para o vice-presidente da Canaoeste, Marco Roberto Guidi, a certificação tende a ganhar relevância nas negociações internacionais. “O programa traz normas técnicas de produção sustentável e adequação à legislação trabalhista e ambiental. O mercado externo observa cada vez mais esses critérios e o produtor precisa estar alinhado a esse cenário”, avaliou.



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