El Niño ganha força e amplia desafios para a safra 2026/27
A probabilidade de ocorrência do El Niño durante a safra 2026/27 voltou a aumentar e já supera 90%, segundo projeções da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O cenário reforça a necessidade de atenção às condições climáticas nos próximos meses, em um ambiente que também segue marcado por crédito mais restrito, custos elevados dos insumos e incertezas no mercado internacional, aponta a mais recente análise da Prado Agronegócios.
Os modelos climáticos indicam que o fenômeno deverá ganhar intensidade ao longo do segundo semestre, atingindo seu pico entre a primavera e o início do verão no Hemisfério Sul. Se as projeções se confirmarem, a tendência é de chuvas acima da média na Região Sul e maior irregularidade das precipitações no Centro-Oeste e em parte do Sudeste, aumentando a ocorrência de veranicos durante períodos importantes do desenvolvimento das lavouras.
Para a cana-de-açúcar, o principal risco não está necessariamente na redução do volume total de chuvas, mas na sua distribuição ao longo da safra. Períodos prolongados de estiagem entre precipitações podem limitar o desenvolvimento da cultura, especialmente em áreas com menor capacidade de retenção de água no solo.
Solo preparado reduz os impactos do clima
Diante desse cenário, especialistas destacam que a construção do perfil do solo ganha ainda mais importância. O conjunto de práticas busca reduzir a compactação, favorecer o aprofundamento das raízes e ampliar a disponibilidade de água e nutrientes em camadas mais profundas, aumentando a resistência das plantas aos períodos de déficit hídrico.
Além de permitir maior aproveitamento da umidade armazenada no subsolo, um solo bem estruturado melhora a absorção de nutrientes móveis, como nitrogênio, enxofre e boro, favorece a atividade biológica, reduz os efeitos de doenças radiculares e nematoides e contribui para manter o potencial produtivo das lavouras mesmo em anos de maior variabilidade climática.
No ambiente econômico, o crédito rural continua sendo outro fator de atenção. Apesar do anúncio do maior Plano Safra da história em valores nominais, a análise da Prado Agronegócios avalia que o volume efetivamente disponível pode ser menor diante do elevado endividamento de parte dos produtores e das incertezas em torno da renegociação das dívidas.
Os fertilizantes também seguem no radar. A comercialização permanece atrasada em relação ao ritmo considerado ideal para a próxima temporada agrícola, reduzindo a antecedência das compras e aumentando o risco de dificuldades no abastecimento e de oscilações nos preços. A recomendação é que o produtor acompanhe o mercado e antecipe decisões sempre que possível.
No cenário internacional, a geopolítica continua influenciando os custos de produção. Embora as cotações do petróleo Brent tenham recuado para níveis próximos aos observados antes do conflito no Oriente Médio, a instabilidade na região mantém o risco de novas pressões sobre combustíveis, fretes marítimos e fertilizantes. Ao mesmo tempo, o dólar valorizado preserva a competitividade das exportações brasileiras, mas encarece insumos importados utilizados pela agricultura.
Entre as commodities agrícolas, a entrada da segunda safra mantém pressão sobre os preços do milho, enquanto a soja encontra sustentação no câmbio, nas condições climáticas dos Estados Unidos e na expectativa de maior demanda chinesa. Esses movimentos influenciam a dinâmica do agronegócio e ajudam a definir o ambiente econômico em que o setor sucroenergético está inserido.
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