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Etanol deve responder por 76% do crescimento dos combustíveis em 2027

StoneX prevê consumo recorde e avanço do etanol sobre a gasolina

O etanol hidratado deve responder por 76% do crescimento do mercado brasileiro de combustíveis leves em 2027, segundo projeções da StoneX. A consultoria estima que o consumo do biocombustível alcance 24 milhões de metros cúbicos no próximo ano, alta de 5,64% em relação a 2026, enquanto a demanda por gasolina deve permanecer praticamente estável.

A diferença de desempenho deve ampliar a participação do etanol no Ciclo Otto, que reúne os combustíveis utilizados em veículos leves. Medida em gasolina equivalente, a demanda total deve atingir 63,72 milhões de metros cúbicos em 2026, crescimento de 3,57% sobre o ano anterior, e chegar a 64,90 milhões em 2027, avanço mais moderado, de 1,85%.

A StoneX atribui a desaceleração prevista para o próximo ano à base de comparação mais elevada, à perspectiva de menor crescimento econômico e às incertezas sobre a continuidade dos benefícios concedidos aos combustíveis. Apesar disso, o consumo nacional deve renovar seus recordes nos dois anos.

“O mercado brasileiro de combustíveis leves deve renovar seu recorde de consumo nos dois anos, mas com dinâmicas diferentes”, afirma Letícia Corrêa, analista de Inteligência de Mercado da StoneX Brasil.

Etanol amplia participação apesar da alta dos preços

A demanda por etanol hidratado deve alcançar 22,72 milhões de metros cúbicos em 2026, crescimento de 6,97% na comparação anual. Com a expansão projetada para 2027, sua participação no Ciclo Otto deve passar de 24,96% para 25,89%. O biocombustível também deve responder por aproximadamente 47% do aumento do consumo de combustíveis leves neste ano.

O ganho de mercado ocorre mesmo após a elevação dos preços nas bombas entre setembro e outubro, que reduziu a competitividade do hidratado em relação à gasolina em parte do país. Segundo a StoneX, a tendência de crescimento deve se manter em todas as regiões brasileiras em 2027.

Até setembro, o consumo acumulado de etanol hidratado chegou a 16,44 milhões de metros cúbicos, alta de 4,43% sobre igual período de 2025. O desempenho ganhou força em agosto e setembro, com aumentos de 21,12% e 15,74%, respectivamente. No Norte e no Nordeste, a expansão acumulada foi de 12,87%.

Para o último trimestre de 2026, a consultoria projeta aumento de 14,24% na demanda por hidratado, enquanto a gasolina C deve registrar queda de 0,89%. A diferença reflete, em parte, a base de comparação de 2025, quando a menor disponibilidade de etanol anidro favoreceu as vendas de gasolina.

Gasolina perde ritmo e deve ficar estável em 2027

A StoneX estima consumo de 47,81 milhões de metros cúbicos de gasolina C em 2026, crescimento de 2,48%. Para 2027, a projeção indica avanço de apenas 0,59%, para 48,10 milhões de metros cúbicos, em um cenário de maior participação do etanol e atividade econômica mais fraca.

Os sinais de desaceleração já aparecem nos indicadores mensais. Depois de crescer 3,74% no acumulado até setembro, a demanda por gasolina registrou alta de apenas 0,43% em agosto e retração de 1,85% em setembro. No Centro-Sul, as quedas nesses dois meses chegaram a 1,02% e 3,85%, respectivamente.

A expansão da frota ainda contribui para sustentar o mercado. Os emplacamentos de veículos movidos a gasolina ou com tecnologia flex somaram 1,5 milhão de unidades até setembro, aumento de 6,4% em relação ao mesmo período de 2025. No intervalo, as vendas de modelos eletrificados alcançaram 433,9 mil unidades.

A mobilidade rodoviária também permanece em patamar elevado. Mesmo com a desaceleração observada em setembro, o índice da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) ficou acima das máximas dos três anos anteriores e da média do período em todos os meses de 2026.

Economia e subvenções influenciam projeções

A perspectiva de menor crescimento econômico é um dos fatores que limitam a expansão do mercado em 2027. Segundo o levantamento, a estimativa para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano recuou de 1,80%, no fim de março, para 1,32% na leitura mais recente considerada pela StoneX.

Outro fator é a continuidade dos incentivos aos combustíveis. O estudo considera desoneração de tributos federais de R$ 0,89 por litro para a gasolina. No caso do etanol hidratado, os valores são de R$ 0,1922 por litro em desoneração e R$ 0,43 por litro em subvenção, com incertezas sobre a manutenção dessas medidas após o início de novembro.

“A manutenção ou retirada dos benefícios pode alterar a competitividade relativa entre gasolina e etanol e, consequentemente, a composição do consumo”, afirma Letícia. A avaliação é que eventuais mudanças nas políticas públicas poderão influenciar a escolha dos consumidores ao longo de 2027.

Nordeste e Sul lideram expansão do etanol

As projeções indicam diferenças regionais no ritmo de crescimento. Em 2026, Nordeste e Sul devem registrar as maiores altas no consumo de etanol hidratado, de 19,56% e 15,45%, respectivamente. No Sudeste, principal mercado brasileiro do biocombustível, a participação deve avançar 0,58 ponto percentual, alcançando 35,25%.

No conjunto dos combustíveis leves, Sudeste e Sul devem responder por 1,34 milhão de metros cúbicos adicionais em 2026, o equivalente a 61% da expansão nacional. Em termos percentuais, os maiores avanços são esperados no Norte, com 5,06%, e no Centro-Oeste, com 4,30%.

Para 2027, a StoneX prevê crescimento mais moderado em todas as regiões, com as maiores expansões do Ciclo Otto no Sul, de 2,19%, e no Nordeste, de 2,02%. No caso da gasolina C, a expectativa é de retração no Centro-Oeste e no Norte, estabilidade no Sudeste e aumentos moderados nas demais regiões.

O Centro-Sul deve concentrar 48,90 milhões de metros cúbicos da demanda nacional por combustíveis leves em 2027, enquanto Norte e Nordeste, somados, devem responder por 15,99 milhões de metros cúbicos, segundo a StoneX.

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