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Expansão do etanol de milho acelera disputa por grãos no Brasil

Entrada da 3tentos em MT reforça ciclo de investimentos no setor

A expansão da indústria de etanol de milho ganhou novo impulso no Brasil com a entrada em operação da primeira planta da 3tentos no Vale do Araguaia, em Porto Alegre do Norte – MT. A autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), publicada nesta segunda-feira (19), marca o avanço da companhia em um segmento que vem atraindo investimentos bilionários e ampliando a disputa pela oferta de milho no país.

A unidade faz parte do ciclo de expansão anunciado pela empresa em 2024 e terá capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia. A produção estimada é de 1.275 m³/dia de etanol hidratado e 1.215 m³/dia de etanol anidro, além de 785 toneladas diárias de DDGS, coproduto utilizado na nutrição animal, e 50 toneladas por dia de óleo de milho. A planta também poderá utilizar sorgo na composição industrial.

O investimento reforça uma tendência observada principalmente em Mato Grosso, estado que concentra boa parte da expansão do etanol de milho no Brasil. Nos últimos anos, grandes grupos passaram a ampliar presença no segmento diante da combinação entre oferta crescente de grãos, demanda por combustíveis renováveis e valorização dos coprodutos destinados à pecuária.

Neste mês, a Amaggi anunciou a aquisição de 40% da FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país, em operação estimada em US$ 100 milhões. O movimento ampliou a presença da companhia no setor de biocombustíveis e reforçou a estratégia de verticalização da produção agroindustrial. Segundo informações divulgadas pela empresa, a entrada na FS busca fortalecer a integração entre originação de grãos, energia renovável e alimentação animal.

O avanço dos investimentos também tem contado com apoio financeiro público. Recentemente, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 1 bilhão para uma nova usina de etanol de milho em Mato Grosso, reforçando o ambiente favorável à expansão da indústria no Centro-Oeste.

Pressão sobre oferta e demanda

O crescimento do setor já começa a alterar o equilíbrio do mercado brasileiro de milho. Levantamentos recentes apontam que a demanda interna pelo cereal deve atingir recorde histórico nos próximos anos, impulsionada principalmente pela expansão do etanol de milho e pelo aumento do consumo na cadeia de proteína animal.

Além do avanço industrial, o mercado acompanha preocupações climáticas que podem limitar a oferta em algumas regiões produtoras. Com isso, analistas observam maior pressão sobre preços e necessidade de ampliação da produtividade para sustentar o crescimento da demanda.

No caso da 3tentos, a companhia afirma que a localização da planta no Vale do Araguaia foi definida pelo potencial agrícola da região e pela ausência de estrutura industrial voltada ao etanol de milho. A empresa avalia que o empreendimento deve contribuir para transformar a dinâmica econômica regional, ampliando geração de empregos e estimulando integração entre agricultura e pecuária.

A expectativa é de geração de cerca de 350 empregos diretos e mais de 500 indiretos na região.

Coprodutos ampliam atratividade

Além da produção de biocombustível, os projetos de etanol de milho vêm ganhando competitividade pela valorização dos coprodutos. O DDGS, utilizado na alimentação animal, tornou-se peça importante para expansão da pecuária intensiva no Centro-Oeste.

Segundo a 3tentos, a produção do insumo pode fortalecer cadeias pecuárias locais e ampliar a eficiência alimentar dos rebanhos. A companhia também destaca que a operação funcionará de forma contínua ao longo do ano, característica que diferencia o modelo industrial do etanol de milho em relação à sazonalidade observada em parte do setor sucroenergético.

O avanço da indústria também ocorre em meio ao aumento das discussões sobre descarbonização da matriz energética brasileira. Empresas do segmento têm buscado certificações ligadas ao RenovaBio e avaliam oportunidades futuras associadas à exportação de combustíveis renováveis.

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