Excelência e dedicação ao associado!

  (16) 99710-6190      (16) 3511-3300        Rua Dr. Pio Dufles - 532 Sertãozinho | SP

Economia circular avança, mas consumo sustentável enfrenta barreiras

Pesquisa da CNI mostra resistência a produtos reciclados no Brasil

A valorização de práticas sustentáveis pelas empresas cresce entre os consumidores brasileiros, mas a adoção de hábitos ligados à economia circular ainda encontra obstáculos. Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (1º) aponta que 72% dos brasileiros veem de forma positiva empresas que investem em sustentabilidade, enquanto 43% afirmam resistir à compra de produtos reciclados.

O levantamento, realizado pela Nexus com 2.019 entrevistados em todas as regiões do país entre 11 e 13 de fevereiro, foi apresentado durante o evento “Liderança Empresarial pelo Futuro do Clima | COP31”, realizado no Rio de Janeiro. O encontro integra a programação da Rio Nature and Climate Week e reúne representantes da indústria, governo e setor financeiro para discutir propostas relacionadas à agenda climática global.

Entre os entrevistados que demonstram resistência aos produtos reciclados, 34% afirmam preferir itens novos e 30% têm dúvidas sobre a durabilidade desses produtos. Os resultados indicam uma distância entre o reconhecimento da importância da sustentabilidade e a confiança do consumidor em soluções associadas à economia circular.

Segundo o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo, o avanço desse modelo econômico depende não apenas da oferta de alternativas sustentáveis, mas também da ampliação do acesso à informação e da confiança do público. Para ele, ainda existem barreiras relacionadas à percepção de qualidade e ao conhecimento sobre os benefícios desses produtos.

Circularidade já faz parte da bioenergia

No setor sucroenergético, a economia circular é uma prática consolidada e está presente em diferentes etapas da produção. Resíduos gerados no processamento da cana-de-açúcar retornam ao ciclo produtivo em aplicações que ampliam a eficiência e reduzem desperdícios. O bagaço, por exemplo, é utilizado na cogeração de energia elétrica por meio de caldeiras abastecidas com biomassa, permitindo que muitas usinas operem com energia renovável e comercializem excedentes para o sistema elétrico.

A circularidade também avança com a produção de biogás e biometano a partir da vinhaça, da torta de filtro e de outros resíduos agroindustriais. Após o processo de purificação, o biometano pode substituir o diesel no abastecimento de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas, reduzindo custos operacionais e emissões de gases de efeito estufa. O aproveitamento energético desses resíduos vem ganhando espaço no Centro-Sul e criando novas fontes de receita para as usinas, além de fortalecer a transição para uma matriz energética de baixo carbono.

Conhecimento sobre circularidade é limitado

Apesar dos avanços em alguns segmentos, a pesquisa revela que apenas 13% dos brasileiros afirmam conhecer profundamente o conceito de economia circular. Além disso, 56% não identificam relação direta entre seus hábitos de consumo e as emissões de gases de efeito estufa.

Outro dado que chama atenção envolve a logística reversa. Segundo o levantamento, 84% dos entrevistados não costumam devolver itens como pilhas, baterias e equipamentos eletrônicos aos pontos de coleta adequados. A falta de informação foi apontada por 33% dos participantes como principal obstáculo, enquanto 24% mencionaram a distância dos locais de descarte.

A circularidade também avança com a produção de biogás e biometano a partir de resíduos agroindustriais. Além de reduzir emissões, esses combustíveis renováveis ampliam o aproveitamento energético de materiais que antes eram descartados. Projetos em expansão no Centro-Sul demonstram o potencial da bioenergia para integrar geração de energia, redução de resíduos e diversificação da matriz energética.

Cerca de 58% dos brasileiros afirmam consertar produtos antes de substituí-los. Entre esse grupo, metade diz agir motivada pela economia financeira, enquanto apenas 10% associam a decisão à preocupação ambiental.

Política nacional está em debate

Na avaliação da CNI, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da economia circular. A entidade defende a aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que institui a Política Nacional de Economia Circular (PNEC), com potencial para estimular investimentos, ampliar a competitividade industrial e incentivar modelos mais sustentáveis de produção e consumo.

Durante o evento preparatório para a COP31, também foram apresentados os direcionadores estratégicos da Sustainable Business COP para os próximos anos. De acordo com a CNI, a iniciativa já alcançou mais de 40 milhões de empresas em 60 países e reuniu mais de 600 casos de sucesso relacionados à adoção de soluções sustentáveis pelo setor privado.

Compartilhe este artigo:

LinkedIn
Facebook
Twitter
WhatsApp
Telegram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *