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Fertilizantes de menor emissão avançam no campo

Tecnologia reduz emissões e mantém foco na produtividade agrícola

A redução da pegada de carbono da agricultura começa a avançar para uma etapa anterior ao plantio. Fabricantes de fertilizantes ampliam o uso de processos de menor emissão e testam no campo estratégias que buscam reduzir o impacto ambiental sem comprometer o rendimento das lavouras.

Dados apresentados pela Yara no 6º Encontro Impactos Positivos, realizado em São Paulo, mostram resultados em culturas como batata e café. Em uma área de 138 hectares de batata, um programa nutricional completo reduziu em 28% a pegada de carbono e elevou a produtividade em 9,8%.

No café, projetos abrangem mais de 300 hectares de arábica e 120 hectares de canephora, com redução de 40% na pegada de carbono. Em uma produção de canephora na Bahia, a queda reportada chegou a 41%, segundo Filippo Scelza, gerente de Assuntos Institucionais da Yara no Brasil.

Os resultados colocam produtividade e emissões na mesma conta. Segundo dados apresentados pela companhia, mais de 50% dos alimentos consumidos atualmente dependem do uso de fertilizantes minerais, o que aumenta o desafio de reduzir o carbono associado aos insumos sem limitar a produção agrícola.

Fabricação concentra espaço para reduzir emissões

Uma das frentes apresentadas durante o encontro foi o portfólio de fertilizantes produzidos por processos de menor emissão. De acordo com a Yara, esses produtos podem ter pegada de carbono até 90% inferior, sem alteração na qualidade ou na eficiência agronômica.

A diferença entre os processos de fabricação aparece nos indicadores apresentados pela empresa. A intensidade chega a 10,4 quilos de CO₂ equivalente por quilo de nitrogênio na China e a 7,2 quilos na Rússia, ante 3,2 quilos na Europa. A companhia afirma que seus fertilizantes atuais podem reduzir as emissões em até 60% em relação às referências de maior intensidade de carbono utilizadas na comparação.

A fabricação, porém, representa apenas uma parte da equação. O resultado obtido no campo também depende das condições de solo e clima, disponibilidade de água, manejo e eficiência no uso dos nutrientes.

Por isso, a estratégia associa os fertilizantes a análise de solo, ferramentas digitais e programas de nutrição. Segundo a apresentação, mais de 150 pesquisas estão em andamento com foco na agricultura brasileira. O trabalho inclui ainda fertirrigação, aplicações foliares e bioinsumos.

No caso da batata, por exemplo, a redução de 28% na pegada de carbono e o ganho de 9,8% de produtividade foram associados pela empresa ao programa nutricional completo, e não apenas à utilização de um fertilizante específico.

Escala depende de resultado econômico no campo

Para o produtor, a adoção dessas tecnologias também passa por custos e retorno econômico. Resultados obtidos em determinada cultura ou região não são automaticamente reproduzidos em outras condições, uma vez que solo, clima, variedade e práticas de manejo interferem no desempenho.

As mudanças no regime climático acrescentam outra variável. Durante a apresentação, Scelza citou alterações nos períodos de chuva e seca entre os efeitos já observados pelos agricultores, o que amplia a necessidade de combinar eficiência produtiva e uso mais racional dos insumos.

Segundo o executivo, a expansão de soluções de menor emissão também depende da articulação entre empresas, governos e universidades. Políticas públicas, previsibilidade regulatória, pesquisa e formação de profissionais foram apontadas entre os fatores necessários para ampliar investimentos e levar as tecnologias a uma escala maior.

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