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IA avança na gestão de frotas em meio a novas exigências da ANTT

Registro obrigatório de cargas amplia demanda por controle de custos e dados

A obrigatoriedade de novos registros no transporte rodoviário de cargas aumenta a pressão sobre empresas para melhorar o controle das operações e o uso das informações disponíveis. Ao mesmo tempo, ferramentas de inteligência artificial (IA) começam a modificar a gestão de frotas, com aplicações voltadas à identificação de despesas, ao acompanhamento dos veículos e à redução do tempo gasto na análise de dados.

Desde maio de 2026, o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) passou a ser obrigatório nas operações de transporte rodoviário remunerado de cargas, conforme as regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O registro reúne informações sobre contratantes, transportadores e veículos, ampliando a documentação das operações.

A mudança ocorre em um setor que ainda enfrenta dificuldades para utilizar os próprios dados na tomada de decisões. Informações sobre consumo de combustível, manutenção, peças e utilização dos veículos são registradas regularmente, mas nem sempre estão disponíveis de forma integrada para análise dos custos operacionais.

Levantamento apresentado pela Gestran, empresa brasileira de tecnologia para gestão de frotas, indica que apenas 15% das empresas do setor atingem seus objetivos de gestão. O dado foi divulgado por Raphael Aguiar, sócio e diretor da companhia, durante o evento Frotas Conectadas, realizado em agosto de 2026.

Uso de IA ainda é limitado nas operações empresariais

A adoção de inteligência artificial pelas empresas brasileiras avançou, mas sua aplicação em atividades de análise e previsão permanece restrita. Pesquisa da Live University/Inbrasc aponta que 88% das organizações já utilizam IA generativa, enquanto apenas 14% estão em estágio avançado no uso de agentes capazes de analisar informações e apoiar projeções.

A distância entre a adoção da tecnologia e sua integração aos processos também aparece em levantamento da PwC com executivos de operações e cadeias de suprimentos. Embora 83% dos entrevistados considerem que agentes de IA e automação podem melhorar a conexão entre diferentes áreas, somente 27% afirmam ter uma estratégia totalmente integrada às unidades de negócio.

Outro entrave está na confiabilidade das informações. Para 87% dos participantes da pesquisa, a qualidade dos dados limita os resultados das iniciativas digitais. Apenas 37% demonstram segurança em delegar processos completos a sistemas de inteligência artificial, o que indica resistência à automação de decisões operacionais.

Na gestão de frotas, uma das aplicações em desenvolvimento busca simplificar o acesso às informações já armazenadas. Em vez de consultar diferentes relatórios, o gestor pode formular perguntas sobre gastos de combustível, custo por quilômetro, frequência de manutenção ou tempo de veículos parados.

“A mudança principal não está na coleta de dados; isso o setor já fazia. Está na velocidade entre ter uma pergunta e ter uma resposta confiável”, afirma Paulo Raymundi, CEO da Gestran.

Controle de custos ganha espaço na gestão do transporte

O uso de agentes de inteligência artificial permite comparar despesas entre veículos, identificar desvios de consumo e avaliar a necessidade de manutenção. As consultas também podem auxiliar na programação das operações, especialmente quando há veículos indisponíveis ou capacidade ociosa.

A Gestran desenvolveu a Gi, ferramenta integrada ao sistema Gestran Frota que interpreta perguntas em linguagem natural e apresenta resultados em textos, gráficos ou arquivos para análise. A solução não executa operações nem modifica os registros existentes, mantendo as decisões sob responsabilidade dos profissionais que administram a frota.

O avanço dessas ferramentas ocorre em um contexto de maior volume de informações exigidas e registradas pelas transportadoras. Além do atendimento às obrigações regulatórias, os dados podem ser utilizados para acompanhar a evolução das despesas e identificar problemas antes do fechamento dos relatórios mensais.

Segundo Raymundi, o acesso mais rápido às informações pode reduzir os efeitos de imprevistos na programação do transporte.

“Um veículo parado pode exigir uma mudança de escala, uma reorganização da programação ou até uma alteração de rota. Por isso, quanto antes o gestor entende o que está acontecendo, mais alternativas ele tem para reorganizar a operação e reduzir o impacto para quem está na estrada”, afirma.

Na ferramenta apresentada pela empresa, as consultas podem identificar veículos parados, o período de inatividade e os respectivos registros operacionais. A inteligência artificial interpreta os dados disponíveis, mas não altera informações, emite ordens de serviço ou realiza intervenções na programação da frota.

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