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Índia pode ampliar pressão sobre mercado mundial de açúcar

StoneX prevê novas importações em 2027 e déficit global de 900 mil toneladas do alimento

A Índia poderá abrir uma nova cota de importação de pelo menos 1 milhão de toneladas de açúcar no segundo semestre de 2027, segundo a 37ª edição do relatório Perspectivas 2026 da StoneX, divulgado nos últimos dias. A consultoria estima produção indiana de 29 milhões de toneladas na safra 2026/27, das quais 1 milhão seria destinado à fabricação de etanol. Com isso, a oferta de açúcar branco ficaria em 28 milhões de toneladas, abaixo do consumo previsto de 28,5 milhões.

O país voltou a importar açúcar em agosto deste ano, após um intervalo de dez anos, em meio à redução dos estoques e às dificuldades climáticas. As chuvas de monções ficaram 15% abaixo do normal, aumentando as preocupações com a produção. Parte dos agentes do mercado considera a possibilidade de o governo suspender a destinação de açúcar ao etanol para preservar o abastecimento interno.

A perspectiva de novas compras indianas ocorre em um momento de menor disponibilidade internacional. A consultoria projeta déficit global de 900 mil toneladas na safra 2026/27, influenciado também pelas perdas produtivas na Tailândia e na União Europeia.

Na Tailândia, a produção deverá cair 20%, para 9,6 milhões de toneladas, após precipitações entre 15% e 30% abaixo da média nas regiões produtoras. Na União Europeia, ondas de calor e falta de chuvas prejudicaram o desenvolvimento da beterraba açucareira. A estimativa é de produção de 13,3 milhões de toneladas, o menor volume desde a década de 1980, levando o bloco novamente à condição de importador líquido.

Menor oferta deve afetar comércio internacional

As quebras na Tailândia e na União Europeia deverão reduzir em aproximadamente 3 milhões de toneladas as exportações líquidas de açúcar branco na comparação com a temporada anterior. Para o primeiro semestre de 2027, a StoneX estima déficit de 340 mil toneladas do produto nos fluxos comerciais internacionais, com possível aumento das compras de açúcar bruto por refinarias.

No último trimestre de 2026, entretanto, a consultoria ainda prevê disponibilidade suficiente para atender à demanda externa, favorecida pelo prolongamento da safra brasileira. As restrições poderão se intensificar durante a entressafra do Centro-Sul, quando o Brasil terá menor volume disponível para exportação.

A expectativa de redução da oferta internacional já influenciou as cotações. Em Nova York, o açúcar bruto passou da mínima de 13,31 centavos de dólar por libra-peso, registrada em abril, para 18,73 centavos em 10 de setembro. O comportamento dos preços nos próximos meses dependerá também das perspectivas para a produção brasileira em 2027/28.

Chuvas atrasam colheita no Centro-Sul

Entre abril e setembro, as precipitações no Centro-Sul brasileiro ficaram 93% acima da média dos últimos dez anos, prejudicando o ritmo da colheita e os níveis de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR). A StoneX estima moagem de 635 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2026/27, com aproximadamente 32 milhões de toneladas permanecendo no campo para colheita no próximo ciclo, mesmo com a extensão das operações até dezembro.

As condições climáticas também afetaram o mix de produção. Até junho, a participação do açúcar no processamento da cana estava em 42,5%, queda de 7,5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior. A posterior valorização do açúcar no mercado internacional favoreceu uma maior destinação de matéria-prima à sua fabricação.

Para 2027/28, a consultoria projeta moagem recorde de 662 milhões de toneladas no Centro-Sul, com produção de 42,4 milhões de toneladas de açúcar e mix açucareiro de 49,3%. O aumento da oferta poderá ampliar os embarques brasileiros no segundo semestre de 2027, após um período de menor disponibilidade no comércio mundial.

Etanol de milho deve impulsionar produção recorde

No mercado de etanol, a StoneX estima produção de 37,8 bilhões de litros no Centro-Sul na safra 2026/27. Apesar da recuperação das vendas de hidratado em agosto, quando o volume comercializado superou 2 bilhões de litros, com alta de 18,8% na comparação anual, o crescimento acumulado no ano foi de apenas 2,73%.

A maior competitividade do biocombustível diante da gasolina contribuiu para a reação do consumo. Em São Paulo, a relação entre os preços dos combustíveis se aproximou de 59% em setembro. A elevação da mistura obrigatória de anidro na gasolina para 32%, conhecida como E32, deverá acrescentar 628 milhões de litros à demanda em 2026, conforme a consultoria.

Para a safra 2027/28, a produção de etanol no Centro-Sul poderá atingir o recorde de 40,5 bilhões de litros, impulsionada pelo milho, responsável por 13,6 bilhões de litros. A fabricação a partir da cana deverá recuar 1,5%, acompanhando o aumento da participação do açúcar no mix das usinas. A StoneX prevê a entrada de 12 novas usinas de etanol de milho até o encerramento da próxima safra, elevando o total para 74 unidades e a capacidade produtiva nacional para 20,3 bilhões de litros. O ritmo de entrada em operação dessas plantas será determinante para a evolução da oferta do biocombustível.

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