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Indústria do café adota biometano e reforça avanço da transição energética no Brasil

Projeto em Jundiaí – SP prevê corte anual de 2,5 mil toneladas de CO e amplia uso de gás renovável de origem agroindustrial

A adoção do biometano como fonte energética começa a ganhar escala na indústria de alimentos e sinaliza novas oportunidades para a cadeia agroindustrial. A fábrica da Pilão localizada em Jundiaí passará a operar com o combustível renovável a partir do primeiro semestre de 2026, em um projeto que envolve a JDE Peet’s Brasil e a Ultragaz.

A unidade é a maior planta de café torrado e moído do grupo no mundo e será a primeira do setor cafeeiro nacional a utilizar biometano em seu processo industrial. A substituição do gás de origem fóssil permitirá evitar a emissão de cerca de 2.500 toneladas de dióxido de carbono por ano, contribuindo para a redução da pegada ambiental da operação.

O biometano utilizado no projeto é produzido a partir da purificação do biogás gerado na decomposição de resíduos orgânicos em aterros sanitários. A iniciativa amplia o aproveitamento energético desses resíduos e reforça o conceito de economia circular, ao transformar passivos ambientais em fonte de energia para a indústria.

No modelo adotado, o combustível será transportado até a fábrica por caminhões abastecidos com o próprio biometano, dispensando o uso de dutos e reduzindo emissões adicionais no transporte. A logística dedicada permite maior flexibilidade e amplia a viabilidade do uso do gás renovável em regiões fora de redes estruturadas.

Meta global inclui corte de 43,3 por cento nas emissões

A adoção do biometano integra a estratégia global de sustentabilidade da JDE Peet’s, reunida no programa Common Grounds. A companhia assumiu o compromisso de reduzir em 43,3 por cento as emissões absolutas de gases de efeito estufa dos escopos 1 e 2 até 2030, com foco em eficiência energética, logística mais eficiente e uso de fontes renováveis.

Segundo a empresa, a mudança reforça a integração entre indústria de alimentos, gestão de resíduos e transição energética, criando referências que podem ser replicadas em outros segmentos intensivos em energia térmica.

Para o setor agroindustrial, incluindo a cadeia da cana-de-açúcar, o avanço do biometano em aplicações industriais amplia o debate sobre o uso energético de resíduos agrícolas e agroindustriais, como vinhaça, torta de filtro e bagaço. A experiência da indústria do café reforça o potencial do combustível renovável como alternativa ao gás natural fóssil, com ganhos ambientais e estratégicos para a matriz energética nacional.

A iniciativa também se conecta às políticas públicas de estímulo aos biocombustíveis e à descarbonização da economia, criando um ambiente mais favorável para novos investimentos em produção e uso do biometano no campo e na indústria.

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