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Mercado de bioinsumos deve crescer até 7% em valor em 2026

Projeção da ANPII Bio indica alta de 10% no volume comercializado

O mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar 2026 com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de aproximadamente 10% em volume, na comparação com 2025. A projeção é da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (ANPII Bio), que aponta avanço na adoção dessas tecnologias, apesar da pressão sobre os preços e da cautela dos produtores nas decisões de compra.

No primeiro semestre, o volume comercializado aumentou 7% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o faturamento permaneceu estável. A diferença reflete a redução dos preços médios e o adiamento de aquisições, principalmente no segundo trimestre, quando as dificuldades no fornecimento de fertilizantes e as incertezas sobre as cotações das commodities agrícolas levaram produtores a postergar investimentos.

Segundo Larissa Bonotto, diretora de operações da ANPII Bio, a expectativa é de recuperação das compras no segundo semestre, com a concentração das aquisições mais próxima do plantio da safra de verão. Para a entidade, o desempenho em volume confirma a expansão do uso de produtos biológicos, embora a indústria enfrente dificuldades para converter esse crescimento em receita.

Os números fazem parte da Plataforma de Inteligência de Mercado da associação, desenvolvida pela consultoria 5P2R Marketing de Precisão. O levantamento reúne informações de 30 empresas e acompanha a evolução do setor desde 2009.

Produtos combinados ampliam participação nas vendas

Além do crescimento do consumo, a indústria brasileira de bioinsumos passa por uma mudança no perfil dos produtos comercializados. Entre os biodefensivos, ganham participação as formulações com mais de uma finalidade, como nematicidas associados a fungicidas e acaricidas combinados com inseticidas. Nos inoculantes, a tendência envolve produtos que reúnem diferentes espécies de microrganismos.

Essas formulações responderam por 22% do valor das vendas no primeiro trimestre de 2026, ante 16% em 2025. O avanço indica maior participação de tecnologias combinadas em um mercado historicamente concentrado em inoculantes tradicionais, principalmente aqueles à base de Bradyrhizobium e Azospirillum.

A diversificação também aparece na atuação das fabricantes. Das 30 empresas acompanhadas pela plataforma neste ano, 50% comercializam tanto inoculantes quanto defensivos biológicos. Em 2022, essa participação era de 26%, o que mostra a ampliação dos portfólios e a entrada das indústrias em diferentes segmentos.

Para Anderson Nora Ribeiro, sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, a mudança demonstra o amadurecimento do setor, com empresas investindo em soluções que combinam diferentes funcionalidades e podem ser incorporadas ao manejo agrícola.

Regulamentação pode dar previsibilidade ao setor

O crescimento do mercado ocorre em meio à expectativa de conclusão da regulamentação da Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024). Segundo a ANPII Bio, o setor aguarda a publicação do decreto regulamentador, prevista pela entidade para as próximas semanas, seguida da elaboração de portarias e outros atos necessários à aplicação das novas regras.

A associação considera que a definição desse marco poderá ampliar a segurança jurídica e a previsibilidade dos investimentos, especialmente diante da diversificação das tecnologias e do aumento da presença dos produtos biológicos na agricultura brasileira.

O desafio, segundo Larissa Bonotto, será estabelecer exigências compatíveis com as características dos diferentes produtos, sem comprometer a inovação ou a viabilidade operacional das empresas. “A regulamentação poderá contribuir para dar mais segurança e previsibilidade aos investimentos e ao desenvolvimento de novas soluções”, afirma a diretora.

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