Açúcar avança em Nova York com demanda da Índia no radar
Safras & Mercado vê suporte às cotações mesmo com queda do petróleo
O açúcar bruto iniciou a semana em alta na Bolsa de Nova York, sustentado pelo aumento da perspectiva de demanda da Índia e por sinais de menor oferta no Centro-Sul do Brasil. O contrato outubro de 2026 encerrou a segunda-feira (24) a 17,65 centavos de dólar por libra-peso, avanço de 0,22%, segundo relatório da Safras & Mercado divulgado nesta terça-feira (25).
O movimento ocorreu mesmo diante da queda superior a 2% nas cotações internacionais do petróleo. Para a consultoria, a resistência do açúcar à pressão exercida pelo mercado de energia indica uma sustentação ligada aos fundamentos próprios da commodity.
Na mesma sessão, o contrato março de 2027 subiu 0,32%, para 18,59 centavos de dólar por libra-peso, enquanto maio avançou 0,38%, a 18,17 centavos. O desempenho manteve os futuros acima dos níveis registrados antes da recuperação observada ao longo de agosto.
Índia pode ampliar importações para 2,5 milhões de toneladas
Um dos principais fatores de suporte ao mercado é a política adotada pelo governo indiano para facilitar as importações de açúcar. A Índia ampliou o prazo para contratação das compras para até dois meses após o fechamento dos contratos.
Anteriormente, a autorização para a aquisição adicional de 1 milhão de toneladas previa prazo até 31 de outubro. A medida se soma às desonerações dos impostos de importação adotadas pelo país.
Segundo a Safras & Mercado, a procura está concentrada em açúcar bruto, que posteriormente será refinado pela indústria indiana. A consultoria avalia que o volume de 1 milhão de toneladas pode representar apenas uma etapa inicial e projeta possibilidade de ampliação gradual das compras para até 2,5 milhões de toneladas.
As medidas também ocorrem em meio às discussões sobre a antecipação da moagem da nova safra indiana para o início de outubro. Tradicionalmente, o processamento começa no fim do mês.
No Brasil, o mercado também acompanha os números mais recentes da safra 2026/27. O segundo levantamento citado pela consultoria indica redução de 1,76% na produção de açúcar no Centro-Sul, enquanto a fabricação de etanol hidratado aumentou 6,9%. A produção de anidro recuou 6%.
Açúcar cristal chega a R$ 102 por saca em Ribeirão Preto
No mercado físico, o açúcar cristal de até 150 Icumsa foi negociado em Ribeirão Preto – SP a R$ 102 por saca de 50 quilos, alta de 0,99%, valor equivalente a 17,96 centavos de dólar por libra-peso. O produto embarcado em big bags foi cotado a R$ 101.
O açúcar de 180 Icumsa também ficou ao redor de R$ 101 por saca, enquanto o produto de 200 Icumsa foi negociado na faixa de R$ 100. Para o açúcar de 300 Icumsa, a cotação chegou a R$ 99.
O Indicador Cepea Esalq para o açúcar cristal de até 150 Icumsa em São Paulo ficou em R$ 105,51 por saca na segunda-feira, alta diária de 1,09%. Em dólar, o valor alcançou US$ 20,47, avanço de 1,84%. A média dos três últimos dias foi de R$ 104,75, aumento de 4,71% em relação à referência anterior apresentada no relatório.
Em outras regiões do Centro-Sul, os preços de venda ficaram em R$ 106 por saca em Maringá – PR, R$ 103 em Araçatuba – SP, R$ 104 no Triângulo Mineiro e R$ 96 em Goiás.
A relação com o etanol continua favorável ao açúcar. Em Ribeirão Preto, o hidratado estava 15,96% menos vantajoso que o açúcar bruto negociado em Nova York e 13,14% abaixo do açúcar cristal no mercado físico.
Safras vê viés de alta mais forte nos próximos meses
A matriz de avaliação da Safras & Mercado aponta tendência altista média para o açúcar negociado em Nova York no curto prazo, entre agosto e setembro, com score de 50. Para os períodos de setembro a outubro e de outubro a novembro, a classificação passa a altista forte, com score de 85.
No mercado interno, a leitura é diferente. A consultoria aponta tendência baixista fraca no curto prazo, com score negativo de 25, seguida por perspectiva altista fraca no médio e no longo prazo, ambas com score positivo de 25.
Entre os fatores acompanhados pela Safras & Mercado, o clima aparece com tendência altista forte nos três horizontes analisados. A oferta tem indicação altista média, enquanto os prêmios passam de altista média no curto prazo para altista forte no médio e no longo prazo. Demanda e câmbio permanecem neutros. As projeções de preços também indicam espaço para valorização nos próximos meses. O relatório trabalha com média de 15,30 centavos de dólar por libra-peso para agosto, 16,80 em setembro, 17,50 em outubro e 18,30 em novembro. A estimativa chega a 20,50 centavos em janeiro de 2027 e atinge 21,50 em março, antes de recuar gradualmente para 18,50 centavos em julho.
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