Petróleo acima de US$ 100 eleva risco e pressiona agro
Relatório do BB aponta dólar a R$ 5 e juros elevados em 2026
O cenário macroeconômico global e doméstico segue pressionando o agronegócio em 2026, com destaque para a alta do petróleo, volatilidade cambial e juros elevados. Segundo o relatório Conexão Mercado Agro do Banco do Brasil, o Brent voltou a operar acima de US$ 100 por barril, refletindo tensões no Oriente Médio, o que impacta inflação, custos logísticos e preços de insumos.
No Brasil, o dólar retornou ao patamar de R$ 5,00 e a curva de juros voltou a subir, enquanto o Ibovespa apresentou correção recente. O banco projeta câmbio médio de R$ 5,20 em 2026, Selic em 12,50% e inflação medida pelo IPCA em 4,7%. Já o PIB deve crescer 2,0% no ano.
Commodities agrícolas refletem volatilidade externa
No mercado de soja, a volatilidade predominou, com o contrato para maio de 2026 recuando cerca de 0,17% na semana. No Brasil, com a colheita acima de 92% da área, os preços caíram em média 0,7% nas principais praças, pressionados pelo câmbio.
Para o milho, o movimento foi misto. Em Chicago, os contratos superaram US$ 4,6 por bushel, com alta semanal de cerca de 1,62%. No mercado interno, o indicador Cepea/B3 ficou próximo de R$ 66 por saca, enquanto os contratos futuros na B3 subiram cerca de 4,20%.
No café, a valorização foi mais expressiva. Os contratos subiram 7,20% para arábica e 8,20% para robusta, impulsionados por estoques baixos e aversão ao risco global. No físico, o arábica gira em torno de R$ 1.850 por saca em praças paulistas, enquanto o conilon está próximo de R$ 855.
Proteína animal tem suporte da exportação
No mercado pecuário, as exportações seguem sustentando os preços. Nos primeiros 12 dias úteis de abril, o Brasil embarcou 153,3 mil toneladas de carne bovina, com média diária de 12,7 mil toneladas, alta de 5,8% na comparação anual. O preço médio foi de US$ 6.143 por tonelada, avanço de 22%.
No mercado interno, o boi gordo ficou em torno de R$ 363,85 por arroba, com negociações entre R$ 360 e R$ 375 em São Paulo. Os contratos futuros para maio e junho de 2026 encerraram próximos de R$ 359 e R$ 346, respectivamente.
O relatório indica que a combinação de incertezas geopolíticas, custos elevados e ambiente financeiro restritivo tende a manter elevada a volatilidade dos mercados agropecuários ao longo de 2026.
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