Plano Safra 2026/27 será anunciado sob pressão por crédito efetivo
Juros, inadimplência e acesso ao financiamento concentram atenções
O Governo Federal lança nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/27, principal política de crédito para a agropecuária brasileira. O anúncio será feito às 10h, no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. Além do volume de recursos e das taxas de juros, o setor acompanha as medidas que deverão ampliar o acesso ao financiamento em um ambiente de custos elevados e maior cautela das instituições financeiras.
O Plano Safra reúne linhas de crédito para custeio, comercialização e investimentos destinados a médios e grandes produtores. A expectativa do mercado é de um novo aumento dos recursos disponíveis. Especialistas avaliam, porém, que a efetividade do programa dependerá da capacidade de transformar os valores anunciados em crédito efetivamente contratado, mantendo condições compatíveis com a realidade financeira das propriedades rurais. A avaliação ocorre em um momento de retração do crédito para investimentos e maior seletividade na concessão de financiamentos.
Efetividade do crédito ganha protagonismo
O debate em torno do Plano Safra deixou de estar concentrado apenas no montante anunciado pelo governo. Estudos divulgados nos últimos dias mostram que o principal desafio da política agrícola passou a ser garantir que os recursos cheguem ao produtor, preservando a capacidade de investimento e reduzindo os riscos financeiros da atividade.
Levantamento do Observatório do Crédito e Seguro Rural da FGV Agro mostra que, entre as safras 2023/24 e 2025/26, os recursos anunciados cresceram 24% em termos reais, enquanto o volume efetivamente contratado recuou 31,7%. Para os pesquisadores, esse descompasso demonstra que o desempenho do Plano Safra deve ser medido não apenas pelo volume divulgado, mas pela capacidade de transformar os recursos em operações efetivamente acessíveis aos produtores. A nota técnica também aponta aumento de aproximadamente cinco vezes na inadimplência do crédito rural e redução de 33,4% nas operações de investimento.
Segundo a FGV Agro, o cenário reflete a combinação entre juros elevados, maior seletividade das instituições financeiras e restrições fiscais, fatores que reduziram a capacidade de contratação dos produtores. O estudo destaca ainda que instrumentos privados de financiamento, como CPR, Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e Fiagros, ganharam espaço nos últimos anos, mas não substituem a importância do crédito oficial para garantir previsibilidade ao setor.
Outro ponto de atenção é a redução da cobertura do seguro rural. De acordo com a nota técnica, a área atendida pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) encolheu cerca de 75% entre 2021 e 2025, diminuindo a proteção dos produtores justamente em um período de maior exposição aos riscos climáticos. Para a FGV Agro, fortalecer os instrumentos de gestão de risco será tão importante quanto ampliar a oferta de crédito no novo ciclo agrícola.
Outro desafio apontado pelos pesquisadores é a queda do crédito destinado aos investimentos. A redução na contratação pode comprometer projetos de irrigação, armazenagem, mecanização e incorporação de tecnologias, afetando a produtividade das próximas safras e a capacidade de adaptação das propriedades. A avaliação é que preservar as linhas de investimento será essencial para manter a competitividade do agronegócio brasileiro diante de um cenário de custos financeiros elevados e maior volatilidade do mercado.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: