Safra 2026/27 deve ampliar oferta global de açúcar e desafiar preços no Centro-Sul
Moagem de cana-de-açúcar pode alcançar 625 milhões de toneladas
A safra 2026/27 tende a consolidar um cenário de oferta mais confortável no mercado internacional de açúcar, com reflexos diretos sobre as decisões de produção no Brasil. No Centro-Sul, as projeções preliminares indicam moagem entre 620 milhões e 625 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, apoiada na regularização das chuvas no fim de 2025, leve expansão de área e condições climáticas mais próximas da média histórica. As perspectivas para 2026 foram divulgadas no relatório “Agromensais” de janeiro de 2026 do Cepea, da Esalq USP.
O documento destaca que, mesmo com maior disponibilidade de matéria-prima, o avanço da produção de açúcar deve ser condicionado pelo ambiente externo. Estimativas apontam superávit global entre 1,6 milhão e 10,5 milhões de toneladas. Relatório trimestral da International Sugar Organization projeta excedente de 1,625 milhão de toneladas na safra 2025/26, reforçando a percepção de estoques mais folgados entre os principais exportadores.
A StoneX estima que 50,6% da cana-de-açúcar do Centro-Sul seja destinada à fabricação de açúcar em 2026/27, com produção brasileira ao redor de 41,5 milhões de toneladas, o segundo maior volume da série histórica. A definição do mix seguirá sensível à relação de preços com o etanol e ao comportamento da demanda doméstica, em um contexto de mistura obrigatória de 30% de anidro na gasolina.
Na bolsa de Nova York, o açúcar bruto pode oscilar entre 15 e 20 centavos de dólar por libra-peso, refletindo maior disponibilidade global e competição entre Brasil, Índia e Tailândia. Fatores climáticos, decisões de exportação da Índia e oscilações no petróleo permanecem no radar dos agentes.
O consumo mundial deve crescer em torno de 1,2% ao ano, puxado por países da Ásia e da África, enquanto mercados desenvolvidos tendem a registrar redução do consumo per capita.
Etanol enfrenta pressão com petróleo e expansão do milho
Para o etanol, a temporada 2026/27 pode trazer um ambiente de maior cautela. A combinação de moagem elevada no Centro-Sul, avanço do etanol de milho e possível enfraquecimento das cotações internacionais do açúcar tende a limitar o espaço para recuperação consistente de preços.
O petróleo segue como variável-chave. Após superar US$ 100 por barril em 2022, as cotações recuaram para a faixa de US$ 60 a US$ 65 em 2025. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo projeta equilíbrio entre oferta e demanda em 2026, enquanto a Agência Internacional de Energia estima superávit global de 3,84 milhões de barris por dia no próximo ano. Caso a gasolina acompanhe esse movimento, a competitividade do hidratado pode ser afetada.
O etanol de milho mantém trajetória de crescimento. A safra 2025/26 já registrou expansão frente ao ciclo anterior, e a participação do biocombustível no total produzido deve seguir em alta, com novos investimentos no segmento.
No Nordeste, a safra 2025/26 deve atingir 56,3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, avanço de 3,6%, com produtividade média de 61.502 quilos por hectare, alta de 1,5%, segundo a Conab. A mecanização deve alcançar 27% da colheita regional.
Em janeiro de 2026, menor disponibilidade de produto em Pernambuco, Paraíba e Alagoas sustentou as cotações do etanol. Em Pernambuco, o hidratado subiu 10,04%, para R$ 3,0005 por litro, enquanto o anidro avançou 12,44%, para R$ 3,7617, sem ICMS, PIS e Cofins. Na Paraíba, o hidratado atingiu R$ 3,0183, alta de 11,65%, e o anidro R$ 3,7147, avanço de 11,48%. Em Alagoas, o hidratado foi cotado a R$ 3,1481, elevação de 10,24%, e o anidro a R$ 3,7572, alta de 10,61%, considerando vendas na modalidade spot. Com maior disponibilidade de açúcar no mercado global e expansão do etanol, o ciclo 2026/27 no Centro-Sul deve exigir ajustes finos de mix e disciplina comercial diante de margens mais apertadas.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: