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Conflito no Oriente Médio altera fretes, energia e mercado de açúcar

Alta do petróleo, rotas desviadas e custos logísticos elevam riscos

O agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã passou a influenciar diretamente a dinâmica dos mercados globais de energia, transporte marítimo e commodities agrícolas. A escalada das tensões no Oriente Médio, intensificada no fim de fevereiro após ações coordenadas de Estados Unidos e Israel, interrompeu rotas estratégicas de comércio e elevou o nível de risco geopolítico nos mercados.

Com o bloqueio do Estreito de Ormuz e a suspensão de passagens pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, navios passaram a contornar o Cabo da Boa Esperança, ampliando o tempo de viagem e pressionando os custos logísticos. Nesse ambiente de incerteza, o petróleo Brent acumulou alta superior a 20%, encarecendo combustíveis, seguros marítimos e fretes internacionais.

Mesmo sem impactos diretos na produção mundial de açúcar, o choque geopolítico cria um ambiente inflacionário baseado em custos, que tende a sustentar os preços da commodity.

Logística global pressiona rotas e refino

De acordo com análises da Hedgepoint Global Markets, os efeitos sobre o açúcar são indiretos, porém cada vez mais relevantes para a cadeia global.

Segundo Lívea Coda, coordenadora de inteligência de mercado da consultoria, o bloqueio de rotas estratégicas alterou o fluxo comercial de regiões que dependem das importações de açúcar bruto.

“Com a principal porta de entrada da bacia atlântica bloqueada, os embarques do Brasil e da América Central que abastecem grande parte das importações regionais agora precisam realizar um desvio mais longo e mais caro ao redor do Cabo da Boa Esperança. O mesmo ocorre, em menor grau, com as exportações de açúcar branco da Europa, que utilizam Suez como rota mais eficiente”, afirma.

A especialista destaca que os impactos vão além do aumento do tempo de trânsito. A mudança nas rotas também compromete a previsibilidade logística e a segurança operacional de refinarias importantes no Oriente Médio.

Refinarias relevantes, como as localizadas em Dubai, enfrentam cadeias de suprimento mais frágeis. Isso ocorre porque tanto os fluxos da bacia atlântica quanto os embarques provenientes do Sudeste Asiático dependiam das rotas afetadas pela crise.

Nesse contexto, importadores da região passam a conviver com custos de entrega mais elevados, prazos mais longos e maior volatilidade no abastecimento.

Alta do petróleo reforça piso do açúcar no Brasil

A valorização do petróleo amplia os efeitos sobre o setor sucroenergético ao encarecer toda a cadeia produtiva, desde insumos agrícolas até transporte e refino. Países dependentes de energia importada, como a Índia, sentem pressão adicional nos custos.

Ao mesmo tempo, a produção indiana foi revisada para cerca de 28,3 milhões de toneladas devido a problemas climáticos. Ainda assim, o impacto global tende a ser limitado, já que as exportações do país permanecem restritas a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas.

Segundo análises da Hedgepoint, eventuais lacunas de oferta podem ser compensadas por maior participação do açúcar no mix de produção do Brasil, o que ajuda a conter pressões mais fortes sobre os preços internacionais.

No mercado brasileiro, entretanto, a alta do petróleo fortalece a competitividade do etanol frente à gasolina e eleva o piso implícito das cotações do açúcar.

“Em análises anteriores, argumentamos que, diante da perspectiva de excesso de oferta global de adoçantes, o mecanismo de ajuste mais eficiente seria absorver parte do excedente por meio do aumento do consumo de etanol no mercado doméstico brasileiro”, afirma a analista.

Antes da escalada do conflito, esse ajuste exigiria preços do etanol hidratado próximos de R$ 2,2 por litro ex mill, equivalentes a cerca de 13,0 a 13,5 centavos de dólar por libra. Com a alta da energia e utilizando a gasolina RBOB como referência, o nível implícito sobe para aproximadamente R$ 2,4 por litro, ou entre 13,7 e 14,2 centavos de dólar por libra.

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