Entressafra sustenta preços do etanol em São Paulo
Oferta restrita e petróleo elevado influenciam negociações
O mercado de etanol no estado de São Paulo mantém sustentação de preços durante o período de entressafra, em meio à oferta limitada do biocombustível e à valorização do petróleo no cenário internacional. Levantamento do Cepea indica que agentes de usinas paulistas seguem firmes nas negociações, enquanto distribuidoras adotam postura cautelosa diante das incertezas externas.
Entre 9 e 13 de março, o Indicador CEPEA ESALQ do etanol hidratado fechou em R$ 2,9439 por litro, valor líquido de ICMS e PIS Cofins, com leve alta de 0,30% frente à semana anterior. Já o etanol anidro registrou R$ 3,2731 por litro, também em base líquida, com recuo marginal de 0,02% no mesmo comparativo.
Do lado da demanda, pesquisadores apontam procura considerada razoável, mas sem pressão adicional sobre os preços. Distribuidoras têm priorizado compras pontuais, limitadas ao atendimento de necessidades imediatas, enquanto aguardam maior clareza sobre o comportamento do petróleo e possíveis decisões da Petrobras sobre preços domésticos.
Açúcar cristal recua com menor liquidez e cenário externo incerto
No mercado de açúcar, o Indicador CEPEA ESALQ do cristal branco Icumsa 130 a 180 seguiu em queda no mercado spot paulista. Após iniciar a semana em alta moderada, os preços recuaram nos dias seguintes, refletindo menor volume de negociações e ajustes no mercado físico.
No ambiente internacional, o conflito no Oriente Médio tem influenciado as cotações do açúcar demerara negociado na ICE Futures, em Nova York. A valorização do petróleo, que avançou de cerca de US$ 72,00 para US$ 103,00 por barril, tem dado suporte às cotações externas do adoçante.
Pesquisadores destacam que a continuidade das tensões pode ampliar desafios logísticos para o escoamento do açúcar brasileiro. O aumento das distâncias, dos custos de frete e dos seguros tende a dificultar o transporte, especialmente para destinos relevantes na região.
Dados da Secex mostram que países do Oriente Médio como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Israel responderam por mais de 5 milhões de toneladas de açúcar brasileiro em 2025, o equivalente a 15% das exportações totais. Parte desse volume pode permanecer temporariamente armazenada nas regiões produtoras até que haja maior segurança para os embarques.
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